sexta-feira, novembro 03, 2006

Somos exemplo (diz FMI)

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Pablo Uchoa
Política do Brasil para pobreza é exemplo, diz FMI

O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse nesta sexta-feira que as políticas brasileiras de luta contra a pobreza são um "exemplo" para a América Latina.

"É um bom exemplo na América Latina, embora não o único, de mudanças para melhor na maneira como se realizam gastos sociais. O Brasil deu passos importantes em tornar mais eficiente seu gasto social, e a redução da pobreza nos últimos anos tem avançado", disse De Rato.

O diretor-gerente do FMI fez as declarações em entrevista coletiva em Cingapura, poucos dias antes do encontro anual da instituição, nas próximas terça e quarta-feira. Mas os eventos paralelos já começaram desde ontem.

Rodrigo de Rato alertou, no entanto, que "há desafios para manter um alto nível de superávit primário e responder às necessidades sociais e de infra-estrutura".

Rigidez orçamentária

Superávit primário é quando o país consegue limitar seus gastos ao que é arrecadado, sem levar em conta o "rombo" causado pelas dívidas.

A alta demanda por gastos nas duas áreas citadas pelo diretor-gerente do FMI ? social e de infra-estrutura ? poderia representar uma tentação para governantes gastarem recursos além do que realmente dispõem.

Em vez disso, o FMI elogiou os esforços do Brasil em controlar os gastos e reduzir a dívida pública, medidas consideradas ortodoxas por críticos da atual política econômica.

Para Rodrigo de Rato, o gasto do governo poderia ser melhorado através de "normas orçamentárias mais flexíveis".

Com parte da arrecadação do governo tendo sua destinação previamente estipulada no orçamento, governantes dispõem de pouco espaço de manobra para gastar de acordo com o que considerem prioridade.

"Um dos maiores desafios da política orçamentária do Brasil é a rigidez. Acreditamos que o Brasil precisa de normas orçamentárias mais flexíveis. Esse é um elemento-chave para a modernização do marco orçamentário no Brasil", disse o diretor-gerente do FMI.

O vice-diretor do FMI, John Lipsky, acrescentou: "o contexto (para as mudanças) será positivo e benigno".

Perspectivas

O "contexto" mencionado por Lipsky é o de um relativo mas estável crescimento neste ano e no próximo.

Pelas previsões do FMI, o Brasil será o país latino-americano a crescer menos neste ano ? 3,6%, contra cerca de 4,3% da média regional ? mas o fará com inflação controlada e uma política mais relaxada de juros.

"Nossa esperança é que, nesse contexto relativamente benigno, as autoridades continuem a progredir" no aperfeiçoamento do gasto público, afirmou o número dois do FMI, John Lipsky.

O alerta do FMI ficou por conta da economia americana, que dá sinais de desaceleração e poderia arrastar consigo o resto do mundo.

O fundo prevê um crescimento mundial de 5,1% neste ano e de 4,9% em 2007.

Mas a maior economia do planeta deveria se expandir somente 2,9% em 2006 e 3,4% no ano que vem.

"Uma questão importante é como o mundo vai se adaptar a uma economia americana menos vibrante", afirmou o diretor-gerente do FMI, Rodrigo de Rato.

"Isto não significa que a desaceleração dos Estados Unidos será dramática, mas certamente estamos em um ambiente menos dinâmico", ele acrescentou.

"O que acontecerá daqui a um ano depende do que faremos daqui até lá."

Até o FMI...


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Relatório do FMI diz que o Brasil reduziu a pobreza

Um relatório divulgado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta quinta-feira indica que a quantidade de pessoas consideradas pobres no Brasil caiu de 28% da população em 2003 para 23% em 2005.

No relatório, intitulado Panorama Econômico do Hemisfério Ocidental, o FMI considera pobres as pessoas que não têm capacidade de "comprar uma cesta de produtos básicos de consumo".

No mesmo período em que a pobreza caiu, a renda dos 50% mais pobres da população brasileira cresceu num ritmo duas vezes maior do que a receita dos 10% mais ricos, além do desemprego ter diminuído, seguindo tendência regional.

“A recuperação (econômica) da região nos últimos anos ajudou a melhorar o nível de emprego e os indicadores sociais. Em vários países – incluindo Argentina, Brasil, Chile, México e Venezuela – o crescimento do nível de emprego se acelerou em 2005 e, na primeira metade de 2006, e o desemprego formal diminuiu significantemente para uma média de 10% no continente”, diz o estudo.

O nível de pobreza na região como um todo também declinou entre 2003 e 2005, indo de 44% para 40%, enquanto o percentual de população vivendo em extrema pobreza foi de 19% para 17%. São consideradas em situação de extrema pobreza pessoas que têm de viver com menos de US$ 1 (cerca de R$ 2,14) por dia.

Programas sociais:

O FMI afirma em seu estudo que a melhoria das condições sociais na região ocorreu em grande parte devido aos programas sociais.

“Vários países têm programas que tentam atacar o problema da pobreza. No Brasil, o programa Bolsa Família está projetado para alcançar 11,2 milhões de famílias até o final de 2006, comparados com 8,7 milhões em 2005 e 6,7 milhões em 2004”, diz o texto.

Para o FMI, programas como o Bolsa Família “mostram-se promissores como instrumentos para reduzir a pobreza e conseguem dirigir os fundos àqueles que necessitam”.

“Além da transferência de dinheiro condicional, os programas de assistência social incluem programas de merenda, capacitação profissional para jovens e assistência financeira para deficientes físicos”, afirma o estudo.

Contudo, o relatório alerta para o fato de que “melhorias duradouras nessas áreas exigirão a formação de respaldo social para reformas”.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Brasil recebe 50 primeiros notebooks de US$ 100 ainda em novembro

Por Guilherme Felitti
repórter do IDG Now!

Governo receberá 50 modelos 2B1 para centros de estudo, enquanto 2º lote, com mil notebooks, chega em janeiro para testes escolares.

O Brasil receberá ainda em novembro os 50 primeiros notebooks educacionais desenvolvidos pelo projeto One Laptop per Child (OLPC) prontos para uso.

A assessoria especial da Presidência, órgão do governo responsável pela escolha da plataforma a ser empregada na educação nacional, espera receber os equipamentos "perto do dia 15" de novembro.

Com a entrega pela OLPC, o Brasil se tornará o primeiro país em desenvolvimento do mundo a ter os notebooks educacionais para sua aplicação prática.

Atualmente, o Laboratório de Sistemas Integrados (LSI) da USP conta com 15 protótipos das placas do portátil, chamado de 2B1 pela OLPC, voltadas para testes com funções regionais.

A informação foi confirmada por fontes do governo, que ainda afirmam que o governo brasileiro já planeja o início da aplicação de notebooks educacionais em colégio nacionais a partir de fevereiro.

Para que isto aconteça, a organização OLPC entregará em janeiro o segundo lote de equipamentos, com mil notebooks educacionais 2B1.

Os 50 primeiros aparelhos prontos serão destinados, segundo a fonte, a institutos de pesquisas brasileiros que deverão conhecer o sistema e começar o desenvolvimento de aplicativos.

A introdução brasileira do 2B1 tem relação com o adiantamento anunciado pela Quanta, empresa de Taiwan responsável pela fabricação de hardware, que antecipou a produção do segundo trimestre de 2007 para o primeiro trimestre.

Criador do projeto e presidente da organização, o pesquisador Nicholas Negroponte poderá ainda vir ao Brasil em novembro para entregar as máquinas ao governo.

Fontes familiares à agenda de Negroponte afirmam que o pesquisador virá à Argentina no começo do mês para conversar pessoalmente com o presidente Nestor Kirchner, com a possibilidade de estender a viagem para o Brasil.

A visita não foi oficializada, no entanto. No mapa mundial publicado no site da OLPC, Brasil e Argentina aparecem como países em que os notebooks serão introduzidor primeiramente, junto a Líbia, Nigéria e Tailândia.

Em outras ocasiões, Negroponte afirmou que a produção do laptop de 100 dólares só começaria quando houvesse encomendada mínima de 5 milhões de aparelhos.

Por mais que seja conhecido como "notebook de 100 dólares", a atual estimativa de preço do 2B1 é de 140 dólares. Negroponte prevê que o aparelho terá atingido larga escala no mercado mundial para realmente custar 100 dólares apenas em 2008.