terça-feira, outubro 31, 2006

Máximas e mínimas

Paulo Henrique Amorim

Ao proclamar o vencedor, o ministro Marco Aurélio de Mello não disse que Lula ganhou. Mas, sim, que diante dos votos a contar, Alckmin não podia mais ganhar.

Numa entrevista exibida pela Rede Record, FHC, no dia da eleição, disse que o PSDB tinha se tornado ?um pólo de poder?. Sabendo-se que Lula bateu Alckmin pelo mesmo placar com que goleou Serra em 2002, pergunta-se: esse pólo tem poder sobre o quê? Dá para nomear o embaixador em Bagdá?

FHC disse ontem também: ?Governabilidade é problema de quem foi eleito? ? começou...

Dos 27 governadores eleitos, 16 apóiam Lula. O ?pólo de poder? dirigido por FHC tem 11.

Na entrevista coletiva, Lula fez questão de agradecer a presença do Governador Marcelo Miranda, do PMDB de Tocantins.

Quem serão os interlocutores do candidato a Presidente José Serra? O PSDB elegeu os governadores de Minas (que têm os mesmos objetivos que ele), Rio Grande do Sul, Alagoas, Paraíba e de Roraima.

Quando vai aparecer o primeiro dossiê contra Aécio?

Onde andará o delegado Bruno?

Qual será o tratamento que os jornais de São Paulo darão a Aécio?

Os debates nas emissoras de tevê servem para quê?

No Rio, ganhou Garotinho e perdeu César Maia.

A eleição de Lula no segundo turno jogou no lixo as teses racistas do tipo ?Lula só ganha no Nordeste?; ?Só pobre vota em Lula?; ?Negro é que vota em Lula?; ?Quem vota em Lula é analfabeto?; ?Lula só ganha porque fez o Bolsa Familia?.

Em 2002, imediatamente após saber que tinha sido eleito, Lula deu uma entrevista a Pedro Bial, no Fantástico. Ontem, a primeira pergunta de uma entrevista coletiva coube ao repórter Celso Teixeira, da TV Record. À Globo coube a mais longa pergunta da historia do jornalismo contemporâneo.

Em 2002, na segunda-feira após a eleição, Lula ?co-ancorou? o Jornal Nacional com Fátima Bernardes e William Bonner. E hoje?

Alckmin diz que não vai contestar a vitória de Lula na Justiça. Contestar como?

A partir de hoje, segunda, dia 30, começa a tentativa de desestabilização via ?risco-país?. Tarso Genro acabou de anunciar o óbvio, aquilo mesmo que Alckmin pregava: ênfase no crescimento e, portanto, fim da ?era Palocci?. É por aí, porém, que vai começar a batalha da oposição para desacreditar a política econômica do segundo mandato. Depois do ?dólar Lula?, que a Goldman Sachs criou em 2002, começa a nascer o ?dólar Genro?. Mesmo depois de Lula dizer na coletiva que a política econômica continuará a ser de ?austeridade?.

Quando se fala em fim das oligarquias no Maranhão e na Bahia seria bom incluir o Ceará.

O PFL tem um ?governador? ? o do Distrito Federal, que, antigamente, se chamava de ?prefeito?.

Quando interrompeu o Jornal Nacional de sábado, pouco antes de se conhecer o resultado das ultimas pesquisas, o ministro Marco Aurélio de Mello conclamou o eleitor brasileiro a exercer o supremo direito de uma democracia: votar. Será que o presidente do TSE tornou o voto no Brasil facultativo?

?Overcoming a series of corruption and political scandals that tarred his image and undermined his credibility, President Luiz Inácio Lula da Silva of Brazil won a landslide re-election victory in a runoff vote on Sunday?. É assim que começa a reportagem do correspondente do New York Times no Brasil, Larry Rohter. Poderia ter dito inclusive ?...superando também a acusação de beber demais ...? (Em tempo: ?landslide? significa ?esmagadora?, ?vitória esmagadora? ? palavra que não se viu na ?imprensa pátria? - como diria o ministro Marco Aurélio de Mello).

Quando se fala em ?dossiê contra os tucanos? seria bom explicar por que é ?contra os tucanos?.

Diz-se que Lula não tem candidato à sucessão, porque não sobrou ninguém no PT. E Jacques Wagner? E Ciro Gomes? E Eduardo Campos?

Lula teve 58 milhões de votos. É a população da Itália.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Testemunha que incriminou Hamilton Lacerda mentiu, diz PF


Por Áureo Germano
BRASÍLIA (Reuters) - O testemunho dado à Polícia Federal por Agnaldo Henrique Lima, que afirma ter levado R$ 250 mil ao ex-coordenador da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda, é uma farsa, segundo o superintendente da Polícia Federal em Mato Grosso, delegado Daniel Lorenz.
"As declarações deles não se mostraram verdadeiras. Não comprovamos as movimentações com documentos", afirmou o delegado à Reuters, por telefone, nesta sexta-feira.
Agnaldo será indiciado por falsidade ideológica, segundo o policial
A testemunha procurou jornais da região de Pouso Alegre em Minas Gerais e gravou entrevistas afirmando que teria levado dinheiro para
Lacerda.

Convocado a depor à PF, ele foi ouvido em Varginha (MG) e afirmou que teria recebido em sua conta uma transferência no valor de R$ 80 mil, que teria sido juntados a outros R$ 170 mil. Todo o dinheiro, segundo suas declarações, teriam sido levados para Lacerda em São Paulo.
O montante teria sido repassado a ele por seu patrão Luiz Silvestre.
"Não há consistências em suas informações", disse Lorenz.
Segundo a assessoria de imprensa da PF, em Brasília, Agnaldo foi levado à mídia por Rosely Souza Pantaleão, que se apresentou como jornalista. As investigações do órgão descobriram que ela é servidora pública em Pouso Alegre e secretária-executiva do PSDB local.

terça-feira, outubro 24, 2006

FHC Nunca Mais


De Emir Sader/Agencia Carta Maior
Duelo eleitoral PT x PSDB
O povo brasileiro já definiu uma decisão inapelável: FHC NUNCA MAIS!
FHC nunca mais!

O povo brasileiro já definiu uma decisão inapelável: FHC NUNCA MAIS!

Depois de se tornar ministro da economia e colocar em prática no Brasil a versão tupiniquim do plano de estabilização do FMI e ser eleito presidente com a promessa do fim da inflação e, com ela, da felicidade de todos. Terminado o “imposto aos pobres”, viriam o crescimento econômico, com a chegada de investimentos, a modernização do país e a distribuição de renda.

Seria virada “a página de getulhismo” – significando com isto, a capacidade reguladora do Estado, o patrimônio das empresas estatais, os empregos com carteira de trabalho, a política redistributiva através dos salários, a extensão do mercado interno de consumo popular, o desenvolvimento econômico junto à extensão dos direitos sociais – enfim, o papel indutor do crescimento e dos direitos sociais.

Com FHC o Brasil substituiu definitivamente o objetivo do crescimento econômico pelo da estabilidade monetária – como prescrevia o FMI e Malan e FHC acatavam. Como resultado, o discurso de que o Estado “gasta muito e gasta mal” desembocou na multiplicação por 11 do déficit público, com a inflação sendo transferida para esse déficit, deixando o Estado em situação falimentar. Nos seus dois mandatos – lembremos que FHC comprou votos para mudar a Constituição durante seu mandato para conseguir a reeleição, tal qual fizeram Menem e Fujimori -, FHC quebrou o país três vezes, tendo que apelar nas três ao FMI. Na terceira delas, os juros foram elevados a 49% (sic).

FHC terminou seu mandato rejeitado pelo povo brasileiro. Seu candidato foi derrotado e ele passou a ser o eventual candidato à presidência com o maior grau de rejeição. Saiu do governo com a inflação controlada, mas com o patrimônio público dilapidado – no maior caso de corrupção da história brasileira, o caso das privatizações, que nem sequer foi objeto de CPI do Congresso -, com as finanças públicas arrasadas, com a economia estagnada e fragilizada. Saiu como o presidente que tinha governado para os ricos, como o presidente dos ricos.

Desde o luxuoso conjunto financiado pelo grande empresariado paulista, onde instalou sua fundação – caricatura da caricatura da que tem Bill Clinton -, FHC passou a fazer ouvir a voz do grande capital brasileiro – na verdade, paulista, da Avenida Paulista -, multiplicado pelo rancor da derrota de 2002, do sucesso internacional da política exterior de Lula. Não se conteve no seu papel de ex-presidente e passou a intervir na política cotidiana. Não se deu conta que o tempo tinha passado, que sua imagem tinha se degradado, acreditou que ainda podia contar com o aureola de intelectual que pontifica sobre tudo.

Está reduzido a um velho político derrotado – junto a ACM, a Tasso Jereissati, a Bornhausen -, que fizeram parte da base fundamental de apoio de seus desastrados 8 anos de governo. Oito anos desastrados para o Brasil, no pior governo que o país já teve.

No entanto ninguém acredita que FHC se retire para a sua privacidade. O que faria ai? Seu narcisismo não esperou para publicar suas “memórias” - de auto-exaltação e desprezo pela realidade. O que faria agora? Sua vaidade, a nostalgia de quando aparecia no jornal para dizer qualquer bobagem e tinha espaço, o impulsiona a um futuro perigoso. Sua imagem vai se degradar cada vez mais. A situação de tucanos que não se atrevem a defender seu governo na campanha eleitoral prenuncia o que espera FHC daqui pra frente.

O povo já deu seu veredicto. Cada vez que FHC falava, a adesão a Lula aumentava. (A ponto de se cogitar a entrega de alguns minutos no programa de Lula a FHC, como reconhecimento e alavanca para aumentar ainda mais a vantagem de Lula.) FHC nunca mais. Nunca mais um intelectual que pretende ditar sua verdade ao povo do alto da sua suposta sabedoria, enganando, mentindo, difundindo falsidades (como “A globalização é o novo Renascimento da humanidade” ou “Há 12 milhões de brasileiros inimpregáveis”, entre tantas outras).

FHC nunca mais, nunca mais ricos governando em nome dos ricos, com falsas promessas para os pobres. Nunca mais um governo vassalo dos EUA. Nunca mais um governo que criminaliza os movimento sociais. Nunca mais um governo que desmantela o patrimônio público pela privatização de empresas estatais. Nunca mais um governo que dissemina a educação privada em detrimento da educação pública, que promove a mercantilização da cultura. Nunca mais FHC. Nunca mais tucanos-pefelistas. Nunca mais governos que concentram ainda mais a renda no Brasil, que vendem a Amazônia para ser vigiada pelas raposas do Império.

FHC NUNCA MAIS!

É o Povo De Novo....

Para completar o clima de já ganhou, Lula cresce em todas as regiões do país. No sul, onde encontra mais resistência ele subiu 10%. Nas camadas sociais mais altas Lula cresce. Na parcela da população mais instruída, Lula cresce.
10% dos eleitores que votaram em Alckmin, no primeiro turno, repensaram e, diante dos resultados do governo petista, decidiram votar em Lula no segundo turno.
É incontestável a falta de argumentos do candidato da direita. Repetindo as mesmas respostas e perguntas em todo lugar que aparece. Até a Veja criticou sua postura. Dizendo que ele não sou dar reposta as questões sobre privatização, não teve coragem de defender as ocorridas no governo FHC e não soube fazer outra coisa, a não ser se fantasiar de estatais, segundo palavras impressas na própria Veja.
Lula vem crescendo em todas as regiões, todas as camadas e todos os níveis culturais, por um motivo simples. Nada pode ir contra a matemática. 2+2 são 4, em qualquer lugar do universo. E mesmo no nosso Brasil, tão maltratado e onde as leis são quebradas com tanta facilidade, a matemática é absoluta. Comas as leis da física e da matemática, o buraco é mais embaixo. Os resultados estão ai.
Como dizer a um dos 7 milhões de ex-pobres, agora classe média, que o país vai mal?
Como dizer a um agricultor, lá do interior, que ouve seu radinho no final do dia, graças ao "Luz para Todos" que o país vai mal?
Como dizer aos novos 7,5 milhão de novos empregados que o país vai mal?
Os números não mentem. Tivemos o melhor governo em décadas e teremos mais um.
Se o PT conseguir conter os afoitos (aloprados) que acabam gerando escândalos, manchando o nome do partido e sujando as bandeiras, em 2010, vem mais governo do povo ai.
E ai sim, estaremos bem mais próximos de um Brasil Para Todos.
Por: Miguel Angel Pérez Corrêa.

Assim é que funciona o "choque de gestão"

17/10/2006 10:51
Ação pretende regularizar a situação trabalhista de soldados "voluntários" em SP
O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo entrou com ação civil pública contra a Fazenda Pública do Estado de São Paulo a fim de regularizar a situação trabalhista de cerca de 14 mil soldados admitidos como "voluntários" pela Polícia Militar.
Segundo a procuradora do Trabalho Viviann Rodriguez Mattos, os depoimentos dos soldados ao MPT mostraram de forma inequívoca que, sob o manto de serviço voluntário, estão patentes os requisitos da relação de emprego.
"Trata-se de fraudulenta contratação de típicos empregados na condição de trabalhadores voluntários", explica a procuradora. "Na realidade, estão presentes todos os elementos de uma verdadeira relação de emprego, só que com a supressão dos direitos sociais dos trabalhadores", afirma.
A Fazenda Pública contrata o que denomina de "Soldado PM Temporário" com base na Lei Federal 10.029/2002 e na Lei Estadual 11.064/2002, que institui o "serviço auxiliar voluntário da PM no Estado de São Paulo" com a finalidade de admitir trabalhadores voluntários para "a execução de atividades administrativas, de saúde e de defesa civil". Esses "voluntários" foram e são admitidos em processo seletivo público. Ao todo, foram admitidos nove soldados nos últimos quatro anos.
Segundo a Procuradora do Trabalho, o que caracteriza o trabalho voluntário é a falta de onerosidade. "Voluntariado pressupõe ação espontânea para auxiliar. O voluntário verdadeiro age de acordo com a sua vontade, quando pode e como pode. Não é isso o que acontece. Na PM , o chamado trabalho voluntário tem todos os elementos configuradores da relação de emprego: subordinação, pessoalidade, não-eventualidade e onerosidade", diz a procuradora.
Além disso, o Soldado PM Temporário passa por um processo seletivo público não porque esteja imbuído de um espírito de solidariedade, mas porque está desempregado e precisa de uma fonte de renda para se manter. Para participar do processo seletivo, um dos pré-requisitos é que os interessados estejam desempregados e a remuneração oferecida, chamada de auxílio-mensal, é de cerca de R$ 700,00.
"Não é crível que uma pessoa jovem e desempregada se submeta a um concurso público para exercer uma função com dedicação exclusiva, em tempo integral, sem pretender salário", avalia a procuradora. Tanto não é verdade, que a remuneração dos "soldados voluntários" é fixa e os que pagam pensão alimentícia têm o valor descontado em folha de pagamento.
No âmbito da administração, a Fazenda Pública mascarou a relação de emprego para aumentar o contingente policial ao mesmo tempo em que reduzia o custo do pessoal pela supressão dos direitos trabalhistas constitucionalmente assegurados.
"Isso implica em deixar de arrecadar aos cofres da seguridade social cerca de R$ 27 milhões ao ano, considerados 14 mil trabalhadores com renda mensal de dois salários mínimos. Em relação ao FGTS, são sonegados R$ 9,4 milhões anuais", sustenta a procuradora.
Na ação, a procuradora pede que seja reconhecida a fraude ao contrato de trabalho e que as duas leis que embasam as contratações de Soldado PM Temporário sejam declaradas inconstitucionais no que diz respeito à supressão dos direitos trabalhistas e afastamento da incidência da CLT.
A ACP requer também que o "serviço voluntário" seja convertido em trabalho temporário com vínculo empregatício regido pela CLT, por prazo indeterminado, ou, caso o juiz entenda não ser possível fazer a conversão, que seja decretada a nulidade das contratações, extinguindo todos os contratos de Soldado PM Temporário, ficando a Fazenda Pública obrigada a registrar todos os falsos voluntários.
Fonte: Assessoria de Comunicação da Procuradoria Regional do Trabalho da 2ª Região (SP)

segunda-feira, outubro 23, 2006

Choque degestão de Alckmin e "BOMBA" da Veja

Deu chabú a "BOMBA" que Veja preparava e para completar, a Folha está jogando a toalha...

Por Altamiro Borges*
Talvez já prevendo a derrota do seu candidato, a Folha de S. Paulo finalmente estampou uma manchete crítica ao ex-governador Geraldo Alckmin. A edição desta segunda-feira (23) revela que o governo paulista reduziu em até 80% os investimentos em projetos de infra-estrutura e paralisou várias obras. A matéria confirma o desastre do chamado ?choque de gestão? que o candidato tucano queria implantar no país.


Segundo a reportagem assinada por Alencar Izidoro e José Ernesto Credendio, ?algumas das principais obras e projetos de infra-estrutura de transporte de São Paulo tiveram seu ritmo reduzido drasticamente ou foram até paralisadas pelo governo de Cláudio Lembro (PFL), que conta os dias para terminar o seu mandato... Os atrasos ou as interrupções dos investimentos ? situação que será herdada por José Serra em 2007 ? foram intensificados nos últimos meses e envolvem de rodovias do interior à expansão da rede sobre trilho da Grande São Paulo, do Rodoanel ao recapeamento das marginais Pinheiros e Tietê?.

Ainda de acordo com o texto, ?na metade do ano, Lembo enviou ofício a todos os secretários vetando novos investimentos e determinando ?redobrada atenção? e ?rigorosa austeridade nos gastos públicos?... Das obras em curso de recuperação ou ampliação de estradas, a Folha apurou que a redução do ritmo em diversos casos é de 80%. A orientação é que alguns empregados sejam mantidos, evitando a desativação de canteiros?. A matéria não diz, mas é lógico que a maioria dos operários será demitida.


Mito do ?gerente eficiente?


A reportagem da Folha de S. Paulo serve para destruir de vez uma falsa imagem criada sobre Geraldo Alckmin. Durante muito tempo, além de blindar a figura insossa do ex-governador, a mídia hegemônica difundiu a o mito de que ele seria um exemplo de ?administrador competente? e de ?gerente eficiente?. Tamanha mistificação enganou alguns inocentes e desinformados.


Mas os fatos negam esta pretensa qualidade. Uma rápida pesquisa sobre a desordem administrativa de São Paulo, após os 12 anos sob comando da dupla Covas/Alckmin, desmascara mais esta engenhosa manipulação da mídia venal.


1- Caos na segurança.

A mentira ficou mais visível na delicada e explosiva área da segurança pública. As três recentes ondas de violência urbana no Estado, que causaram a morte de quase 200 pessoas e a destruição de inúmeros bens públicos e privados, confirmaram a total incompetência dos tucanos e a sua insensibilidade social. Segundo o Sindicato dos Funcionários do Sistema Prisional de São Paulo, os sucessivos cortes de verba para o setor resultaram num déficit de 31 mil agentes na área, depreciaram os salários em quase 40% e superlotaram os presídios, que hoje demandam mais 70 mil vagas. Como presidente, Alckmin só teria a oferecer a trágica experiência do PCC, que transformou os presídios em ?faculdades? do crime.


2- Abandono da educação.

Também como efeito do choque de gestão, a educação pública sofreu brutal regressão. O ensino médio hoje atende 25% da demanda de jovens entre 15 e 19 anos; de 1999 a 2005, as matrículas baixaram de 1.720.174 para 1.636.526; a taxa de reprovação pulou de 3,6% para 15,6%; e a evasão escolar já atinge a marca recorde de 7% ao ano. Como forma de maquiar este desastre, o governo inventou a ?progressão continuada?, com a aprovação automática do aluno sem qualquer correspondência com a realidade. Já foram encontrados estudantes analfabetos na quarta série devido a esta maquiagem. Levando em conta que o analfabetismo atinge 6,6% da população e que há mais cinco milhões de analfabetos funcionais (18% dos paulistas acima de 15 anos), fica patente a incompetência da ?turminha do Alckmin?.


3- Mercantilização da saúde.

Para impor o ?estado mínimo? na saúde, o PSDB entregou os hospitais públicos à iniciativa privada sob a camuflagem das tais Organizações Sociais de Saúde (OSS). Elas administram os hospitais através dos contratos de terceirização, sem licitação ou qualquer controle do Tribunal de Contas. Atualmente, já são 18 hospitais, três ambulatórios de especialidades e um centro de referência para idosos entregues para a iniciativa privada. Além disso, o governo Alckmin cortou 170 mil cargos funcionais na área da saúde entre 1994 e 2006. Os hospitais geridos pelas OSS não realizam os atendimentos mais complexos para tratar apenas dos casos simples, classificados como de ?rotatividade rápida?. Já os mais ?caros? acabam sobrecarregando os hospitais da administração direta ou servem para elevar os lucros do setor privado.


4- Transporte precário.

A política de transporte também se encaixa no modelo neoliberal, socializando prejuízos e privatizando lucros. E ainda serve a interesses sinistros. Em 1997, um diretor da Dersa, Celso Ferrari, provou que as licitações para a privatização das rodovias foram armadas em benefício de empresas privadas ligadas ao PSDB. O caso do Metrô é ainda mais escandaloso. No trecho Linha 4-Amarela, o governo investirá R$ 1 bilhão (73% do total de recursos necessários), enquanto que apenas R$ 340 milhões ficarão por conta da empresa privada que ganhar a concessão por 30 anos. Neste capitalismo sem risco, o grupo privado ganhará com a venda de bilhetes e com outros empreendimentos nas estações e arredores, como lojas, publicidade e estacionamentos. Estima-se que só com tarifas, ele faturará R$ 6 bilhões entre 2008/12.


5- Roubo nos pedágios.

Estudo do Ipea revelou que, entre 1995 e 2005, as tarifas cobradas nos pedágios paulistas subiram em até 716%. O governo Alckmin privatizou as melhores estradas ? com pistas duplas, canteiros centrais e situadas nas regiões mais ricas ? e ficou com as piores. As 12 concessionárias presenteadas pelo PSDB exploram apenas 3,5 mil quilômetros (16% da malha rodoviária), mas que representam o filé mignon do setor. Após a privatização, o número de pedágios disparou. Em 1995, havia 11 pedágios; hoje, são 153 ? sendo que apenas 14 estão sob controle estatal. Na Rodovia dos Imigrantes, que tem apenas 58,5 quilômetros ligando capital ao litoral e possui um movimento anual superior a 30 milhões de veículos, a concessionária Ecovias cobra R$ 14,80 por automóvel. É só fazer a conta para aquilatar o roubo!


6- Privatizações criminosas.

Desde a criação do Programa Estadual de Desestatização (PED), em julho de 1996, setores estratégicos da economia paulista foram ?vendidos? a monopólios privados por preços irrisórios. Sob a batuta de Geraldo Alckmin, presidente do PED, foram privatizadas a Eletropaulo, CPFL, Elektro, Cesp, Comgás, Ceagesp, aeroporto Viracopos e as rodovias Bandeirantes, Anhangüera, Castelo Branco, Dom Pedro, Carvalho Pinto, Ayrton Senna, Imigrantes e Anchieta. A alienação deste patrimônio rendeu R$ 35,6 bilhões. Fepasa e Banespa foram federalizados antes de serem privatizados. Os danos à economia foram brutais. No caso do Banespa, ele possuía ativos de R$ 29 bilhões e patrimônio de R$ 11 bilhões. Mas foi ?vendido? ao Santander por apenas R$ 7,05 bilhões ? que, descontada a isenção fiscal, não pagou nada pela compra.


7- Estado endividado.

Todo este processo de desmonte foi feito sob o pretexto de que era preciso dar um choque de gestão para sanar a dívida pública. Pura balela. Os R$ 35 bilhões obtidos nas privatizações serviram para pagar juros e a situação financeira do Estado só piorou. A dívida publica pulou de R$ 34 bilhões no início do governo tucano, em janeiro de 1995, para R$ 123 bilhões em março passado. Até o Tribunal de Contas do Estado (TCE) tem criticado o volume excessivo de recursos drenados aos especuladores financeiros. Nos últimos três anos, o Estado de São Paulo desembolsou R$ 13,1 bilhões somente com juros e encargos da dívida. Esta política, que favorece apenas as elites detentoras de títulos da dívida, causou a redução de gastos na infra-estrutura e nas áreas sociais. Os investimentos na segurança, por exemplo, foram de apenas R$ 151 milhões em 2005 ? 3% do que foi transferido aos banqueiros ?, o que explica a guerra urbana no Estado.


8- Apagão na energia.

O desmonte do Estado teve efeitos devastadores na infra-estrutura, em especial no setor de energia. Numa primeira fase, o governo fatiou as três estatais existentes, Eletropaulo, Cesp e CPFL, em onze empresas de geração, distribuição e transmissão de energia. Na segunda, promoveu o leilão das empresas fragilizadas, num criminoso processo de privatização e desnacionalização. Essa política resultou nos famosos apagões entre junho de 2001 e fevereiro de 2002. Geraldo Alckmin destruiu o sistema de energia construído desde os anos 50 e que havia alavancado a industrialização. ?Moeda podre?, como o Certificado de Ativos, foi usada nos leilões. Com a privatização, piorou a qualidade dos serviços. No caso da CPFL, antes do leilão ela possuía 200 postos de atendimento no Estado; três anos depois, em 2000, eram apenas 30.


9- Locomotiva parada.

O longo reinado tucano foi um desastre para a economia do Estado, que no passado ficou famoso como a locomotiva do país por seu forte dinamismo econômico. Ainda hoje, apesar do desmonte neoliberal, ele é responsável por 31,8% do PIB, 32% das exportações e 45% das importações. A sua receita, provinda dos tributos dos 37 milhões de habitantes, é de R$ 62,2 bilhões. Ele concentra 51,6% dos salários industriais e aloja sete dos 10 maiores bancos do país. Mas esse dinamismo foi emperrado pela medíocre gestão da turma do Alckmin. O peso de São Paulo no PIB, que atingiu 39,5% em 1970, teve queda abrupta. Hoje, a locomotiva está parada e virou um cemitério de indústrias e empregos. Mantida esta política, estima-se que o PIB per capita de São Paulo cairá da terceira posição no ranking nacional para 11º lugar até 2012.


10- Especulação e miséria

Como resultado desta orientação ultraliberal, as contradições sociais se agravaram. A minoria parasitária, que vive dos juros das dívidas públicas, saiu ganhando. O número de famílias ricas saltou de 191 mil para 674 mil na última década ? pulou de 37,8% para 58% do total de famílias abastadas no Brasil. ?Grande parte da elite paulista encontra-se submersa no pacto neoliberal, enquanto beneficiária da financeirização. A riqueza não é mais distribuída entre os vários elos da cadeia de produção. Fica concentrada nas famílias de banqueiros e nas pessoas que as rodeiam?, afirma Marcio Pochmann. No outro extremo, o cruel ajuste fiscal e a criminosa privatização entravaram o desenvolvimento, causando elevadas taxas de desemprego, redução de gastos sociais e aumento da miséria e da violência. São Paulo possui hoje o maior número de pobres do país. Em 1980, por exemplo, 44,5% da renda vinham do trabalho; em 2003, caiu para 30%
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quinta-feira, outubro 19, 2006

Datafolha: Lula dispara e Alckmin depende do inesperado

Coluna do iG
Os números da mais recente pesquisa do Datafolha são uma cachoeira de água fria nas pretensões eleitorais de Geraldo Alckmin. Lula, que subiu para 57% das intenções de voto, abriu uma vantagem de 19 pontos sobre Alckmin, que caiu para 38%. No universo dos votos válidos, a diferença a favor do presidente alcançou 20 pontos ? na pesquisa anterior, de terça-feira da semana passada, era de doze. Ou seja, em sete dias ela aumentou oito pontos. Está claro que estamos diante de uma onda a favor de Lula, de intensidade muito superior a que se podia esperar.

Lula cresceu e Alckmin caiu em todas as regiões, em todas as faixas de renda e em todos os segmentos de escolaridade. Os movimentos são, portanto, consistentes e homogêneos. O presidente alcançou um patamar espetacular no Nordeste (75% a 25%), aumentou sua vantagem no Sudeste (56% a 44%) e no Norte e no Centro-Oeste (58% a 42%) e reduziu a dianteira de Alckmin no Sul, a única região onde o tucano leva a melhor (53% a 47%). À luz desses números, não se sustenta a tese de que Lula seria o preferido do Brasil atrasado, enquanto Alckmin venceria no Brasil moderno.

Quando se decompõe o eleitorado por renda mensal, Lula já ultrapassou o tucano na faixa de 5 a 10 salários mínimos (52% a 48%), onde, dez dias atrás, o ex-governador de São Paulo vencia por dez pontos de diferença. Mesmo entre os que ganham mais de 10 salários mínimos, a diferença a favor de Alckmin reduziu-se significativamente (60% a 40%). Vale destacar que, em termos de escolaridade, o presidente somente é derrotado entre os que possuem curso superior, mas a diferença, que andou acima da casa dos 20 pontos na virada do segundo turno, encurtou para doze (56% a 44%)

Pode-se dizer que o jogo está jogado e que é impossível uma virada? Não, na vida nada é impossível. Mas é muito pouco provável que Alckmin tenha discurso, tempo e forças para mudar o quadro atual. Para se ter uma idéia da magnitude da tarefa, ele teria de tomar mais de 900 mil votos de Lula por dia, todos os dias, até o dia da eleição, para impedir sua vitória. Convenhamos: é muito pouco provável que isso aconteça, a menos que ocorram fatos novos espetaculares que provoquem um terremoto eleitoral. Como os índices de ?alopragem? no PT são sabidamente elevados e tampouco até agora sabe-se de onde veio o dinheiro para a compra do dossiê, não se pode descartar inteiramente a possibilidade de uma reviravolta. Mas a simples constatação de que as chances de Alckmin dependem basicamente da intervenção do inesperado mostra como sua situação é complicada.

Embora muitos fatos e episódios tenham contribuído para a boa performance de presidente e para os tropeços de seu adversário nas últimas semanas, a explicação básica para a disparada de Lula nas pesquisas é simples: ele venceu o debate político com Alckmin. No segundo turno, sem a presença de azarões e nanicos, a disputa transformou-se num mano a mano entre os dois candidatos, que favoreceu e impôs a confrontação política. A campanha de Lula percebeu isso e forçou uma comparação entre o atual governo e as propostas da aliança do PSDB com o PFL. Nesse momento, Alckmin acabou agarrando-se na tábua de salvação da cobrança ética. E, quando não tendo conseguido sustentar o fogo, foi obrigado a se pronunciar sobre temas como privatizações, economia, programas sociais, Bolsa-Família etc, caiu na defensiva. Pior: quis sair da defensiva convencendo o eleitorado de que suas idéias nessas questões não são muito diferentes das de Lula. Não convenceu. Declarou-se contra as privatizações, manifestou-se a favor do Bolsa-Família, apoiou o Pró-Uni etc. E com isso apenas abriu o flanco para a campanha de Lula encaixar um slogan demolidor: ?Não troque o certo pelo duvidoso?. Faz sentido.

Se as urnas vierem a confirmar as pesquisas e o presidente for reeleito, o PSDB e o PFL terão de passar por uma boa chacoalhada interna. Precisam entender que a bandeira de ética, por mais importante que seja, não pode ser um expediente para esconder a falta de propostas. E que só hoje só vence as eleições para presidente no Brasil quem falar para o país todo (e for entendido por ele). A classe média ? média-média e média-alta ? é pouco para levar alguém ao Palácio do Planalto. Como já disse antes (ver coluna do dia 21/08/2006 e entrevista à revista Caros Amigos), o ?efeito pedra no lago? acabou. A formação de maiorias no país hoje é um processo muito mais complexo e sofisticado do que há dez anos. Felizmente. É um sinal de que o país está se modernizando social e politicamente.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Até a Folha admite: Brasil vive melhor momento em dez anos


Nem o jornal tucano Folha de São Paulo consegue esconder que o Brasil vive o melhor momento econômico dos últimos dez anos. Leiam o editorial de hoje, Abater a dívida (para assinantes).

O texto reconhece que as empresas brasileiras estão líquidas e capitalizadas como nunca, prontas para deflagrar um novo e vigoro ciclo de investimentos no país. Este ano, as emissões acionárias já superam em 60% o valor de 2005. Há apetite por risco no mercado de capitais, o que só acontece quando predomina o otimismo com o futuro, a confiança na solidez macroeconômica e a certeza de estabilidade nas instituições políticas. Nossas reservas internacionais são recordes (o dobro do valor disponível em 2002) e suficientes para zerar a dívida pública externa.

A onda de confiança, associada às medidas para expandir e baratear o crédito imobiliário anunciam um boom de construções no setor que responde por 60% do PIB. A aceleração do crescimento, combinada com inflação abaixo da meta, como diz o ministro Guido Mantega, favorece a redução dos juros e facilita a equação do desafio fiscal. Sem tesouradas, sem traumatismos e, principalmente, sem retirar recursos de promgramas sociais e dos brasileiros que dependem da Previdência, como querem os tucanos. O caminho está aberto, enfim, para o país reduzir o peso do custo financeiro no orçamento público e assim ampliar os investimentos indispensáveis em infra-estrutura.

Jornalismo em xeque


Que se esqueça o teor do escândalo - já que os próprios meios de comunicação preferem assim, ao ignorar o conteúdo do dossiê e as repetidas matérias da Istoé, deixando claro o envolvimento da turma do Serra no esquema das ambulâncias - e centremos foco no que está acontecendo.

Quando se fala em observar o que a mídia esta fazendo, pensa-se logo em censura, mas o poder - o tal quinto poder - que os grandes grupos de mídia têm nas mãos, é capaz, sim, de desestabilizar o Estado. Não esqueçamos que a Globo já ajudou a eleger Collor uma vez.

Ocorre que hoje há muito mais força na informação popular e a internet está aí, para fazer chegar às nossas mãos informações como estas... E seria
interessante, afora quaisquer condições ideológicas, que se pensasse em como serão os próximos anos deste País, se toda a nossa grande informação passa por filtros ideológicos...


Não me parecem bons presságios.

Retorno àquela matéria vetada pela folha do retorno de João Goulart....e de todas as memórias que se reavivaram em sua chegada por aqui...

Ronaldo de Souza Godinho.

Jornalismo em xeque

A verdade que envergonha o jornalista brasileiro

Otávio Frias Filho, chefe de redação da Folha de S. Paulo, um dos jornais denunciados

A verdade que envergonha o jornalista brasileiro

Diretamente envolvidos na divulgação distorcida dos fatos e das fotos referentes ao dossiê Serra/Vedoin, jornais como a Folha de São Paulo, o Estado de São Paulo, bem como a Rede Globo, mantêm silêncio envergonhado sobre graves denúncias veiculadas pela revista Carta Capital desta semana.

A edição que está nas bancas mostra o conluio entre jornalistas destes órgãos e o delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, para divulgação, às vésperas do primeiro turno, das fotos do suposto dinheiro destinado à compra do dossiê Serra/Vedoin, como já escrevi neste blog.

Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif rompem esse silêncio e comentam, cada um em seus respectivos blogs, a matéria. Seus artigos não deixam dúvida sobre a gravidade dos fatos expostos na Carta Capital e, mais grave ainda, sobre a omissão da imprensa brasileira a respeito. O Observatório da Imprensa também comenta a reportagem. “A ser verdadeira, como tudo indica, é um libelo contra a grande mídia brasileira - no caso, Folha, Estado e Globo”, diz a nota do site.

Para Paulo Henrique Amorim, a reportagem de Raimundo Pereira mostra que um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno. “A matéria merecia um subtítulo:
A radiografia da imprensa brasileira”, diz ele, e enumera 14 pontos demonstrados pela reportagem – por exemplo, o fato de que as equipes de televisão da campanha de Alckmin e de Serra chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos. E o fato de que a imprensa omitiu a informação de que o procurador da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do "caso Lunus", que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. “A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral.


Mas a campanha já tinha morrido”, recorda Amorim.

Sobre o delegado Edmilson Bruno, Amorim observa que a matéria da Carta Capital demonstra que ele tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e as distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan. Que contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele e que procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: "Tem de sair à noite na tevê, tem de sair no Jornal Nacional", disse.

“Em 1982, no Rio”, diz Amorim, “quase tomaram a eleição para governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Polícia Federal (como o delegado
Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais? O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e prepararam a opinião pública para a fraude gigantesca”, recorda.

“Está tudo pronto para o segundo golpe”, conclui Amorim. E explica:

“1. O Procurador Avelar está lá.

2.Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo!).

3. A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: 'Cadê o papelzinho' que permite a recontagem do voto?

4. E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.”

Luiz Nassif, em seu blog, começa observando que Raimundo Pereira – um jornalista de esquerda -- sempre teve compromissos políticos. “Mas manteve intacto o compromisso com o jornalismo, que desenvolveu desde os tempos brilhantes da revista Realidade”.

“A reportagem de Raimundo não é partidária, não é militante, não é raivosa, não trata a falta de escrúpulos com falta de escrúpulos – como tem sido a marca desses tempos de escuridão, nessas batalhas absurdas de capas atacando Lula e atacando a oposição. É fria e lógica como uma cirurgia de especialista. Não desperdiça palavras, não gasta acusações, apenas confronta princípios básicos de jornalismo com a atitude de cada veículo, repórteres e direção, no episódio em pauta."

"Menciona gravações do delegado que vazou os maços de nota, a cumplicidade com jornalistas, jornais acobertando mentiras, como a versão de que as fotos haviam sido furtadas - versão divulgada a pedido do proprio delegado, conforme gravações preservadas por repórteres indignados e impotentes”, diz Nassif.

“Os 67 mil exemplares da Carta Capital não se equiparam à tiragem das grandes publicações. Mas cada exemplar com a matéria de Raimundo ficará pairando no ar, como um alerta sobre o que ocorre com jornalistas e publicações, quando colocam paixões e interesses acima dos princípios jornalísticos”, conclui Nassif.

O que está acontecendo com a imprensa brasileira é muito grave. Trata-se de uma perda total de sua função social, que é informar corretamente os cidadãos. Para isso, uma condição fundamental é o compromisso com a verdade. Chegar a essa verdade implica ouvir o contraditório, fazer apurações rigorosas, expor todos os lados da questão, relatar os fatos com isenção. A mídia brasileira de maior visibilidade está partidarizada, em campanha contra a reeleição de Lula. Isso é lamentável, porque representa um golpe nos princípios republicanos e democráticos. O jornalismo crítico, fiscalizador – e não partidarizado -- é essencial para o desenvolvimento de uma verdadeira democracia.

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Veja o que Luis Nassif escreveu:

Requiém do jornalismo

Raimundo Pereira sempre teve compromissos políticos. Mas manteve intacto o compromisso com o jornalismo, que desenvolveu desde os tempos brilhantes da revista “Realidade”.

Sua matéria na “Carta Capital” sobre a cobertura da imprensa das fotos do dinheiro que seria pago pelo “dossiê Vendoin” é uma aula de jornalismo sobre o antijornalismo que parece ter tomado definitivamente conta da mídia.

Nos últimos anos houve vários exemplos de matérias encomendadas, várias evidências de mistura de jogadas empresariais e reportagens, e várias
coberturas em que se misturavam cumplicidade com a polícia e autodefesa de jornalistas – como no caso do Bar Bodega, em que muitos jornalistas conviveram por um mês com um delegado que, depois se soube, torturou meninos injustamente acusados do crime, e nenhuma das testemunhas jamais veio a público denunciar o complô.

Mas em nenhum desses casos houve uma abrangência tão grande de veículos e uma falta de limites tão acentuada – independentemente da gravidade dos episódios cobertos – quanto a cobertura da foto dos maços de notas que seriam utilizados para a compra do “dossiê Vendoin”.

A reportagem de Raimundo não é partidária, não é militante, não é raivosa, não trata a falta de escrúpulos com falta de escrúpulos – como tem sido a marca desses tempos de escuridão, nessas batalhas absurdas de capas atacando Lula e atacando a oposição. É fria e lógica como uma cirurgia de especialista. Não desperdiça palavras, não gasta acusações, apenas confronta princípios básicos de jornalismo com a atitude de cada veículo, repórteres e direção, no episódio em pauta.

Menciona gravações do delegado que vazou os maços de nota, a cumplicidade com jornalistas, jornais acobertando mentiras, como a versão de que as fotos haviam sido furtadas – versão divulgada a pedido do proprio delegado, conforme gravações preservadas por repórteres indignados e impotentes.

A exemplo de tantas campanhas absurdas dos anos 90, não adianta invocar a presença do “inimigo”, do crime a ser combatido pouco importando os meios. Os atingidos pela cobertura não foram Lula, nem os “aloprados”, nem mesmo o primeiro turno das eleições: foi o exercício do jornalismo, pelas mãos de
algumas pessoas que, pelo cargo que ocupam, deveriam ser os maiores guardiões desses princípios.

Os 67 mil exemplares da “Carta Capital” não se equiparam à tiragem das grandes publicações. Mas cada exemplar com a matéria de Raimundo ficará pairando no ar, como um alerta sobre o que ocorre com jornalistas e publicações, quando colocam paixões e interesses acima dos princípios jornalísticos.

terça-feira, outubro 17, 2006

FHC defende privatizações e diz que não é contra venda da Petrobras

Folha Online - 17/10/2006 - 12h12

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu nesta terça-feira os resultados dos processos de privatização realizados durante o seu governo e afirmou não ser contra a privatização da Petrobras.

O líder tucano afirmou que é demagogia do PT afirmar que um eventual governo de Geraldo Alckmin venderia o controle da empresa. FHC afirmou que "ninguém vai privatizar" a gigante estatal do petróleo, mas em seguida deixou escapar a frase "não sou contra a privatização da Petrobras".

"A Petrobras tem que ser outra coisa. Uma empresa pública, e não o que está sendo, usada para fins políticos. O Banco do Brasil tem de ser uma empresa pública, não para ser usado no Valerioduto. Você tem aí empresas que devem ser do governo, mas não devem ser usadas por um partido. E empresas que não têm sentido estarem no governo, que devem ser privatizadas", disse o ex-presidente em entrevista à "Rádio CBN".

FHC toca em um ponto sensível para a candidatura de Geraldo Alckmin. Desde o início da campanha neste segundo turno, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, tem explorado o fato dos governos tucanos terem sido responsáveis pela venda de patrimônio público, tanto da União quanto nos Estados.

Alckmin tem se esforçado para mostrar que não pretende realizar nenhuma privatização em um possível governo. No entanto, para FHC, o debate acerca das privatizações é arcaico, porque o que foi feito funcionou e não haveria contexto para novos processos.

"Agora, está havendo uma discussão arcaica: se deve haver privatização ou não. É claro que já houve privatização, taí, funcionou. Em outros setores, não pode haver privatização. Isso depende de circunstâncias", comentou.

FHC afirmou que se os bancos estaduais não tivessem sido privatizados, o país estaria envolvido "na inflação e na corrupção". Em seguida, citou o caso da telefonia, que, segundo ele, só expandiu o atendimento porque foi privatizada, e da Companhia Vale do Rio Doce.

De acordo com o ex-presidente, a crítica ao valor de venda da Vale deveria ser desconsiderada, porque ninguém à época queria comprar a companhia. "[A Vale] multiplicou o seu valor por dez, não porque ele valesse dez na época. Ninguém queria comprar, foi uma dificuldade alguém comprar", disse.

segunda-feira, outubro 16, 2006

De novo a Veja

Depois dizem que há isenção e que não se persegue o atual governo.
NÓS sabemos que essa notícia é requentada e o fato ocorreu nos tempos do Everardo - tanto a remoção (que dizem, teve conotação política) quanto todas as diárias e a investigação do TCU, que pelo jeito só agora teve resultado definitivo.
Ocorre que a revista dá a notícia como se o desperdício com as diárias fosse obra do governo atual, não deixando NENHUMA margem ao público em geral, para sequer desconfiar que a tal FARRA ocorreu nos tempos FHC....
Mas a revista é isenta, claro.


? TCU

A farra da burocracia
A ineficiência e a má gestão da burocracia pública brasileira não têm limites. Na semana passada, o Tribunal de Contas da União (TCU) julgou um caso exemplar ? e quase inacreditável. Ei-lo: a Receita Federal concedeu, a título de ajuda de custo, 8.500 reais ao servidor Edson Pedrosa, transferido de Brasília para o Rio de Janeiro. O dinheiro serviria para sua mudança, da mulher e dos filhos. Como surgiu a suspeita de que a família do funcionário já morava no Rio, foi instalada uma comissão para investigar o fato. Bem, para uma verificação mais do que simples, a tal comissão demorou dois anos para concluir os trabalhos. E consumiu 350.000 reais. Ou seja, 41 vezes mais do que o gasto irregular inicial.


De TORPEço em tropeço...

Suplicy pede respeito a Alckmin no próximo debate
SÃO PAULO - O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, enfrentou ontem uma saia-justa com o senador Eduardo Suplicy
O tucano foi repreendido por Suplicy e também desmentido publicamente pelo petista, depois de uma cerimônia religiosa em homenagem à Nossa Senhora Aparecida.
O senador do PT fez, ainda, propaganda do projeto de lei de sua autoria, que estabelece um piso mínimo de distribuição de renda para todos os brasileiros, o Renda Mínima.
Diante do constrangimento, Alckmin evitou responder às provocações e aproveitou a situação para não responder às perguntas sobre choque de gestão e corte nos gastos públicos -temas polêmicos levantados por seu assessor na campanha, Yoshiaki Nakano.
Ao fim da missa no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, na cidade paulista com nome em homenagem à santa, Suplicy soltou o verbo contra Alckmin.
O desconforto começou quando os dois integrantes de partidos adversários foram colocados à mesma mesa para responder às perguntas dos jornalistas.
Logo no começo da entrevista coletiva, Suplicy criticou, indiretamente, o tom agressivo uso desempenho de Alckmin e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no debate do domingo, na TV Bandeirantes e pediu respeito.
" Espero que no próximo debate ambos possam estar assim como se fossem dois irmãos diante de sua mãe " , apontou, referindo-se ao tom agressivo usado por Alckmin no debate.
" É importante que ambos sejam muito assertivos dizendo as coisas que pensam, mas também procurando tratar os outros com respeito.
O respeito que o povo quer para com aquele que vai escolher como presidente " .
O senador disse ter uma boa relação com Alckmin, assim como o presidente Lula tinha com o tucano quando ele estava à frente do governo de São Paulo.
Mas, poucas palavras depois, chamou a atenção de Alckmin por causa das declarações feitas pelo tucano contra os investimentos do governo federal no Bolsa Família, carro-chefe da gestão Lula.
" Eu só pedi a ele (Alckmin) para ler com atenção a Lei 2.836.
Diferentemente do que ele disse no debate existe sim uma contrapartida " .
Na verdade, o número da Lei é 10.836, de 9 de janeiro de 2004Constrangido, Alckmin apenas pôs panos quentes: " Hoje é dia de Nossa Senhora e Nossa Senhora é amor " .
O tucano também não se mostrou confortável para responder sobre suas propostas para a política fiscal.
Limitou-se a dizer que o país enfrenta um problema fiscal - " o ponto central do crescimento " - e que pensa de forma diferente de Lula.
" Acho que o governo gasta muito, gasta mal.
São 34 ministérios, uma quantidade infinita de cargos de comissão, custeio elevado, superfaturamento de obras e compras " , criticou.
Nas críticas ao governo federal, o tucano disse ainda que o país não crescerá com a atual carga tributária.
" Óbvio que (tratar da) a questão fiscal é pôr o dedo na ferida.
Se nós ficarmos rodeando e não enfrentarmos os problemas, vamos crescer só 2% enquanto os outros países emergentes crescem 7% " .
De forma diferente da habitual, o candidato encerrou uma rápida coletiva, depois de ter respondido a apenas uma pergunta sobre política (sobre sua proposta fiscal).
O tucano não quis analisar a declaração feita pelo presidente Lula, em entrevista ao jornal " O Globo " , onde defende o crescimento econômico sem a necessidade de cortar gastos, nem de enxugar o tamanho do Estado, por meio das privatizações.
A afirmação de Lula diverge da apresentada por Yoshiaki Nakano, um dos responsáveis pelas propostas econômicas de Alckmin.
Nakano propôs a redução drástica dos gastos públicos, da ordem de 3,4% do PIB, e a adoção de mecanismos de controle do câmbio - declarações polêmicas, que levaram Alckmin a desautorizar publicamente seu auxiliar.
Em Aparecida, o candidato do PSDB aproveitou a homenagem à padroeira do Brasil para fazer um corpo-a-corpo com eleitores e disse não ter feito nenhum pedido à santa para que ganhe a eleição.
" Política é questão terrena.
A gente não deve misturar as questões de Deus com as de natureza política " .
O santuário recebeu ontem mais de 155 mil romeiros durante o dia.

O truque e o GOLPE


O 1º GOLPE DE ESTADO JÁ HOUVE. E O 2º?

Paulo Henrique Amorim

Um golpe de Estado levou a eleição para o segundo turno.

É o que demonstra de forma irrefutável a reportagem de capa da revista Carta Capital que está nas bancas (¨A trama que levou ao segundo turno~), de Raimundo Rodrigues Pereira. E merecia um sub-titulo: ¨A radiografia da imprensa brasileira~.

Fica ali demonstrado:

1)      As equipes de campanha de Alckmin e de Serra chegaram ao prédio da Polícia Federal, em São Paulo, antes dos presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos;
2)      O delegado Edmilson Bruno tirou fotos do dinheiro de forma ilegal e a distribuiu a jornalistas da Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo, do jornal O Globo e da rádio Jovem Pan;
3)      O delegado Bruno contou com a cumplicidade dos jornalistas para fazer de conta que as fotos tinham sido roubadas dele;
4)      O delegado Bruno procurou um repórter do Jornal Nacional para entregar as fotos: ¨Tem de sair à noite na tevê., Tem de sair no Jornal Nacional~;
5)      Toda a conversa do delegado com os jornalistas foi gravada;
6)      No dia 29, dois dias antes da eleição, dia em que caiu o avião da Gol e morreram  154 pessoas, o Jornal Nacional omitiu a informação e se dedicou à cobertura da foto do dinheiro;
7)      Ali Kamel, ¨uma espécie de guardião da doutrina da fé~ da Globo, segundo a reportagem,  recebeu a fita de audio e disse: ¨Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos não a temos~, diz Kamel, segundo a reportagem
8)       A Globo omitiu a informação sobre a origem da questão: 70% das 891 ambulancias comercializadas pelos Vedoin foram compradas por José Serra e seu homem de confiança, e sucessor no Ministério da Saúde, Barjas Negri.
9)      A Globo jamais exibiu a foto ou o vídeo em que aparece Jose Serra, em Cuiabá, numa cerimônia de entrega das ambulâncias com a fina flor dos sanguessugas;
10)  A imprensa omitiu a informação de que o procurador  da República Mario Lucio Avelar é o mesmo do ¨caso Lunus~, que detonou a candidatura Roseana Sarney em 2002, para beneficiar José Serra. ( A Justiça, depois, absolveu Roseana de qualquer crime eleitoral. Mas a campanha já tinha morrido.)
11)  Que o procurador é o mesmo que mandou prender um diretor do Ibama que depois foi solto e ele, o procurador, admitiu que não deveria ter mandado prender;
12)  Que o procurador Avelar mandou prender os suspeitos do caso do dossiê em plena vigência da lei eleitoral, que só deixa prender em flagrante de delito.
13)  Que o Procurador Avelar declarou: ¨Veja bem, estamos falando de um partido político (o PT) que tem o comando do país. Não tem mais nada. Só o País. Pode sair de onde o dinheiro ?~
14)  A reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira conclui: ¨Os petistas já foram presos, agora trata-se de achar os crimes que possam ter cometido.~

Na mesma edição da revista Carta Capital, ao analisar uma pesquisa da Vox Populi, que Lula tem 55%, contra 45% de Alckmin, Mauricio Dias diz: ¨ ... dois fatos tiraram Lula do curso da vitória (no primeiro turno). O escândalo provocado por petistas envolvidos na compra do dossiê  da familia Vedoin ... e secundariamente o debate promovido pela TV Globo ao qual o presidente não compareceu.~

Quer dizer: o  golpe funcionou.

Mino Carta, o diretor de redação da Carta Capital, diz em seu blog, aqui no IG (http://blogdomino.blig.ig.com.br/), que houve uma reedição do golpe de 89, dado com a mão de gato da Globo, para beneficiar Collor contra Lula. ¨A trama atual tem sabor igual, é mais sutíl, porém. Mais velhaca,~    diz Mino.

Permito-me acrescentar outro exemplo.

Em 1982, no Rio, quase tomaram a eleição para Governador de Leonel Brizola. Os militares, o SNI, e a Policia Federal (como o delegado Bruno, agora, em 2006) escolheram uma empresa de computador para tirar votos de Brizola e dar ao candidato dos militares, Wellington Moreira Franco. O golpe era quase perfeito, porque contava também com a cumplicidade de parte de Justiça Eleitoral e, com quem mais? Quem mais?

O golpe contava com as Organizações Globo (tevê, rádio e jornal, como agora) que coonestaram o resultado fraudulento e preparam a opinião pública para a fraude gigantesca.

Que só não aconteceu, porque Brizola ¨ganhou a eleição duas vezes: na lei e na marra~, como, modestamente, escrevi no livro ¨Plim-Plim ‗ a peleja de Brizola contra a fraude eleitoral~, editora Conrad, em companhia da jornalista Maria Helena Passos.

Está tudo pronto para o segundo golpe.

O Procurador Avelar está lá.

Quantos outros delegados Bruno há na Policia Federal (de São Paulo, de São Paulo!).

A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: ¨Cadê o papelzinho?~, que permite a recontagem do voto ?

E se for tudo parar na Justiça Eleitoral? O presidente do TSE, ministro Marco Aurélio Mello já deixou luminosamente claro, nas centenas de entrevistas semanais que concede a quem bater à sua porta, que é favor da candidatura Alckmin.

E o segundo golpe? Está a caminho. As peruas da GW já saíram da garagem.

Sobre comercio exterior e política externa

A vitória da nova geopolítica brasileira

Apesar dos inegáveis problemas de valorização cambial ? que devem ser corrigidos, urgentemente, com a queda dos juros ? os resultados mostram que a estratégia geopolítica do governo Lula foi mais que acertada. Isso é especialmente verdade na ênfase dada à integração sul-americana.

Ao contrário do que dizem tucanos e ortodoxos, que ameaçam recolocar o país na rota da subordinação estéril aos EUA, a verdade é que a opção desassombrada do.presidente Lula pela diversificação de mercados mostrou-se superior ao cosmopolitismo provinciano da diplomacia subserviente do tucanato.

Um dados resume todos os demais: as vendas para a América Latina já representam 40% dos embarques brasileiros de manufaturados, como detalha matéria publicada, hoje, no Valor (para assinantes). Estes, por sinal ,lideram nossa pauta de exportações. Outro mito ortodoxo que é derrubado, ou seja, de que estaríamos regredindo a uma "economia colonial" exportadora de matérias-primas.

É preciso corrigir o câmbio, sim, e isso pode e deve ser feito agora com a queda mais acelerada dos juros. Eventualmente, pode-se inclusive incorporar medidas de seletividade no ingresso de capitais especulativos para impedir a valorização artificial de nossa moeda. O desenvolvimento soberano é incompatível com a sujeição da moeda nacional às operações selvagens de arbitragem implementadas pelos jogadores de poquer das finanças internacionais.

Isso, no entanto, não revoga o essencial: a estratégia política vitoriosa da geopolítica do presidente Lula. Essa não pode mais ser ignorada, está consagrada nas estatísticas e na liderança externa do país.

por Zé Dirceu

sábado, outubro 14, 2006

CURSO DE LEITURA DINÂMICA,TÉCNICA DE ESTUDO, CONCENTRAÇÃO E MEMORIZAÇÃO

APRESENTAÇÃO No mundo competitivo em que vivemos hoje, a informação tornou-se uma poderosa aliada para o melhor desempenho nos estudos, além da realização de bons negócios, para o sucesso pessoal e profissional. As pessoas hoje têm acesso a uma verdadeira bateria de informações e conhecimentos. Seja através de cursos, da televisão, da tela do computador, ou seja através de livros, jornais, revistas, etc. Principalmente no que se refere ao papel impresso, diariamente nos deparamos com uma imensa pilha de material que precisa ser lida, para que possamos colher as informações e assim buscar o aprimoramento escolar, profissional e pessoal. Nesse mundo da informação, estudar é a palavra de ordem, é o caminho necessário e essencial para alcançar seus objetivos e trilhando por esse caminho, descobrimos que a leitura tem uma importância fundamental no processo de aquisição de conhecimentos, mas na nossa movimentada rotina diária, como ler mais em menos tempo sem perder qualidade de leitura e realmente poder absorver e memorizar o que foi lido* É este o propósito deste curso de leitura dinâmica e memorização, ou seja, fornecer informações e técnicas essenciais para que você possa ler com mais agilidade e memorizar o conteúdo de sua leitura. Sem formulinhas mágicas. Treinar as habilidades e educar-se, aliadas a técnicas que possam ajudar seu desempenho são formas de poder melhorar e conquistar uma melhor aprendizagem. A palavra chave para o êxito de qualquer atividade é essa: Treinar e aprimorar-se. Se você seguir as instruções passo a passo e realmente se dedicar aos exercícios deste curso, com certeza poderá melhorar e muito seu aprendizado na leitura, ganhando em tempo e qualidade de informação, porque sabemos que nossa aprendizagem depende muito mais da maneira como lemos ou escrevemos do que da quantidade de material que estudamos. Todos temos a capacidade, a de desenvolver essas técnicas, porém precisamos nos esforçar para isso e não se esqueça. Uma técnica só pode ser absorvida se for bem treinada e para adquirir novas habilidades, basta você querer adquirir, assim é preciso acima de tudo dedicação.
A METODOLOGIA
Este curso se baseia em inúmeras técnicas de leitura dinâmica e memorização divididas em lições com explicações e exercícios. Assim que tiver assimilado uma lição, você poderá passar para as outras, sempre não esquecendo se exercitar para poder assim absorver a técnica. Para você desenvolver melhor as habilidades, os exercícios devem ser feitos por no mínimo uns 10 minutos diários e de início procure fazer apenas uma das lições por dia. As técnicas de leitura dinâmica também foram divididas em blocos para que você possa praticar melhor e se organizar com referência ao seu programa de estudos. Se realmente seguir as orientações e fizer os exercícios, com certeza poderá melhorar e muito o seu aprendizado, desenvolvendo técnicas novas e importantes.
PARTE I * LEITURA DINÂMICA
Desde os séculos passados estudiosos vêm desenvolvendo técnicas de leitura dinâmica. Um dos primeiros a desenvolver e estudar essas técnicas foi o francês Lui Emily Javai, no final do século XIX. Seu método posteriormente seria aperfeiçoado pela professora norte americana Evelin Wood, já na década de 60, nos Estados Unidos. No Brasil, as técnicas de dinamizar a leitura começaram a ser estudadas em 1969. Ler dinamicamente é acelerar o processo de leitura. A partir de agora, vamos iniciar as lições para que você possa aprender o método, entre tanto, voltamos a enfatizar: siga corretamente as instruções, treine e habitui-se ao processo para que assim você possa desenvolver a habilidade.
BLOCO I * COMO SE MOTIVAR PARA UMA MELHOR LEITURA*
LIÇÃO 1
Para melhorar seu processo de leitura e seu aprendizado, você deve decidir, *eu quero aprender mais*.
EXPLICAÇÃO
Alcançar bons resultados com os estudos e poder desfrutar de uma memória mais eficaz e ativa são habilidade que todos podemos desenvolver. Questão muito importante e fundamental para quem inicia qualquer aprendizado. Para e pense um pouco. É isso que realmente você deseja* Pense e mentalize sua resposta por cerca de uns 30 segundos. Estudar melhor e poder assimilar mais o material estudado é importante pra você* Temos certeza que sua resposta é positiva, pois atualmente sua vida está intimamente relacionada ao seu estudo e para conseguir atingir mais facilmente os seus objetivos pessoais e profissionais, estudar é uma arma poderosa.
EXERCÍCIO
Mentalize então sua resposta como objetivo pessoal a partir de agora e repita antes de iniciar qualquer leitura e antes de iniciar as próximas lições.
LIÇÃO 2
Para aprender mais é preciso ter interesse de leitura.
EXPLICAÇÃO
Para realizar bem uma determinada atividade de aprendizagem é preciso, acima de tudo, demonstrar incessante interesse pelo que se está lendo, pelo que se está estudando, pela matéria pela a qual se está trabalhando. Numa aula de matemática por exemplo, quando o assunto é equações, seu professor deve passar uma verdadeira bateria de exercícios, a fim de que você possa absorver automaticamente a matéria, porém se você não fizer esses exercícios, dificilmente conseguirá assimilar rapidamente e ter respostas rápidas ao exercícios. A sua força de vontade e o seu interesse, ditam as regras de uma bom aprendizado. Você precisa demonstrar interesse pelo que está fazendo. Lembre-se da primeira lição: *Querer é poder*. Se você quiser ter interesse, assim o terá.
EXERCÍCIO
Antes de iniciar a próxima lição, mentalize a seguinte frase por uns 30 segundos, repetindo o exercício antes iniciar qualquer leitura. *O ESTUDO É IMPORTANTE PARA MIM E EU QUERO APRENDER*.
LIÇÃO 3
Para gostar de estudar é preciso não estudar apenas por obrigação. Repita mentalmente a frase: *NÃO ESTUDO APENAS POR OBRIGAÇÃO*
EXPLICAÇÃO
Normalmente quando estudamos com o sentimento de obrigação a ser cumprida, pouco proveito tiramos das leitura e dos trabalhos que realizamos. Contar as página ou as linhas que faltam, de nada podem ajudar a assimilar a informação, pelo contrário, quando nos preocupamos mais em alcançar mais o fim do texto do que entende-lo, estamos jogando contra a nossa memória, a qual tem um papel seletivo sobre as informações passadas. Se você não considera as informações importantes, como poderá guarda-las na lembrança*
EXERCÍCIO
Você deve apagar o sentimento de obrigação, trocando pela moeda da curiosidade. Mentalize e repita a frase: *NÃO ESTUDO POR OBRIGAÇÃO, TENHO INTERESSE EM ESTUDAR*
OBSERVAÇÃO: As próximas lições vão indicar procedimentos básicos para que você possa absorver melhor todo o material de estudo lido. Se quiser faça uma pausa e retome mentalmente e frase: *O ESTUDO É IMPORTANTE PARA MIM E EU QUERO APRENDER*.
BLOCO II * AS CONDIÇÕES PARA UMA MELHOR LEITURA
Muitos ao planejar suas rotinas de atividade de estudos nas mais variadas situações, esquecem de detalhes fundamentais. Presta bastante atenção no que eu disse: *FUNDAMENTAIS* que acabam por prejudicar todo o processo de aprendizado. Vamos relaciona-lo agora na lição a seguir.
LIÇÃO 4
Para um melhor aprendizado, você deve:
1º Cuidar muito bem da sua saúde e ter uma alimentação balanceada. Não é preciso enfatizar que este é um detalhe importante não só para a reposição das energias diárias, como para todas as suas atividades em geral. Visão e audição deficiente e não cuidadas e narinas obstruídas, por exemplo, servem apenas para desmotivar uma leitura.
2º Procurar dormir o suficiente para não dormir sobre os livros. Sair na Sexta-feira à noite, voltar às 5 da manhã e acordar às 7 para ler e estudar por umas 12 horas, é um conto da carochinha. Se o seu estado físico mental não permitir, você não conseguira absorver a matéria. Parece obvia, não* Sim, mas será que você já não fez isso*
3º Preparar um ambiente de estudo adequado. O seu espaço para estudo deve bem organizado, com tudo a mão para evitar distração. Na verdade memória fraca e distração andam de mãos dadas, alem disso, adote postura de estudo, com cadeira e mesas adequadas à sua altura, de modo a cansar menos . O ambiente também deve ser bem iluminado, bem arejado e livre de ruídos, não se esqueça, considere som alto, televisão como ruídos, pois estes são grandes tiradores de concentração. Deixe o futebol e a novela pra depois
4º Organizar-se. Lugar certo, na hora certa, no ambiente certo e com o material certo. Se você levanta toda hora para pegar o dicionário, buscar mais um livro, pegar outra apostila, achar o lápis, a borracha e a caneta, sua devagar por outro afazeres e como mente você tem que retomar o que estava lendo, na maioria das vezes sem o interesse anterior. Pois você julgar que já leu.
5º Criar o hábito de estudar. Você, estudante, melhor que ninguém, sabe que estudar é um hábito que precisa ser criado. Como qualquer outra habilidade, de inicio o habito de ler e estudar precisa ser até forçado, até que se adquira gosto e se torne automática e comum à tarefa. Assuma este compromisso e policie-se.
EXERCÍCIO
Vamos tomar as condições mínimas para um aprendizado e uma leitura mais eficiente, mentalizando todos os itens.
1º Cuidar muito bem da sua saúde e ter uma alimentação muito bem balanceada
2º Procurar dormir o suficiente para não dormir sobre os livros
3º Preparar um ambiente de estudo adequado
4º Organizar-se
5º Criar o hábito de estudar
LIÇÃO 5
Reorganize a sua rotina diária.
EXPLICAÇÃO
Você deve perguntar agora. *Quanto tempo devo estudar* Quando devo estudar tal matéria**. Principalmente no que toca sua atividade principal, estudar, é fundamental saber distribuir o tempo disponível para que o rendimento possa crescer gradativamente. Bem, se você não quiser criar um stress mental ou algo como um curto circuito no seu cérebro, algumas dicas são:
A) Seja um leão agressivo na hora de decidir por estudar, mas estude de acordo com o seu ritmo e nada de ficar sonhando, ficar pra depois ou só mais uns minutinhos e eu começo
B) Faça um controle do seu tempo. A maioria dos professores de cursinhos, por exemplo, orientam os seus alunos para que o estudo seja distribuído com intervalos para melhorar assimilação daquilo que se está estudando. Assim como nas próprias aulas que normalmente são divididas em períodos de 50 minutos ou de 1 hora, deixam um espaço de cerca de 10 ou 15 minutos a cada período. Divida também seu tempo de estudo também por grau de dificuldade deixando maior espaço para as matérias que você considera mais complicadas. Estude realmente para saber. Ao estabelecer seu plano de estudos, passe a estudar nos horários certos, policie-se para não deixar nada pra depois.
EXERCÍCIO
Vamos montar juntos um plano de estudos.
1- Faça você mesmo uma tabela com seus horários da semana. Horário que você acorda, tempo para almoço, o tempo para fazer as matérias escolares, etc. Sempre de acordo com as atividades da semana. Por exemplo: *Segunda-feira levando às 6, vou à escola as 7 e faço o curso de inglês das 4 às 6 da tarde*.
2- Relacione então de acordo com os dias da semana, os possíveis horários para estudo. Por exemplo: *Na Segunda e na Terça começando a 5 da tarde até às 7 da noite. E na Quarta e na Quinta das 3 da tarde até às 5* e assim até o final de semana.
3- Distribua os horários com as matérias referentes a cada dia. Pode ser Biologia e Matemática na Segunda, Física e Química na Terça, etc. Procure estudar as matérias um dia antes das aulas, para poder melhor assimilar a matéria, junto com a explicação do professor.
4- Este é o item mais importante. Siga rigorosamente a partir de agora o seu programa de estudos. Lembre-se novamente. É PRECISO SE DEDICAR PARA ATINGIR SEUS OBJETIVOS. Somente inicie as próximas lições após montar seu plano de estudos.
BLOCO III * REAPRENDENDO A LER
LIÇÃO 6
Para uma melhor compreensão no seu aprendizado, você precisa ver e ouvir cada detalhe, não tirando a atenção do que está lendo, procurando compreender linha a linha, parágrafo por parágrafo as explicações do autor, aprenda a ter uma leitura crítica
EXPLICAÇÃO
Vamos a uma pequena brincadeira. Um texto que você não poderá levar muito tempo para responder. Vamos imaginar que um avião decolou do aeroporto de São Paulo às 16:00 hs com 330 passageiros. Fez uma breve escala no Rio de Janeiro, onde embarcaram mais 40 passageiros e desceram 20. De repente uma mulher grávida passa mau e desce juntamente com todo a sua família, o marido, mais 2 filhos e quatro tios. O avião segue então viagem. Só que seria a última, pois depois de uma pane, ele cai repentinamente na fronteira do Brasil com o Equador, matando os passageiros.
Pergunta: Quantos passageiros morreram*
Alguns segundos para você pensar. 10 segundos
Vamos repetir toda a questão.
Vamos a uma pequena brincadeira. Um texto que você não poderá levar muito tempo para responder. Vamos imaginar que um avião decolou do aeroporto de São Paulo às 16:00 hs com 330 passageiros. Fez uma breve escala no Rio de Janeiro, onde embarcaram mais 40 passageiros e desceram 20. De repente uma mulher grávida passa mau e desce juntamente com todo a sua família, o marido, mais 2 filhos e 4 tios. O avião segue então viagem. Só que seria a última, pois depois de uma pane, ele cai repentinamente na fronteira do Brasil com o Equador, matando os passageiros.
Pergunta:
Quantos passageiros morreram* Já sabe a resposta*
Bem não há resposta. Se você prestou bastante atenção, ira verificar que há um erro que anula toda a questão. Qual* Vamos avaliar seus conhecimentos de geografia. O Brasil faz fronteira com o Equador* Poucas pessoas conseguem descobrir de imediato este erro. Se você conseguiu, parabéns!!! Esta brincadeira é só pra lhe mostrar como é importante saber ouvir e realmente prestar muita atenção no que se está ouvindo. O mesmo processo se dá com a leitura.
Para se fazer então uma leitura crítica é preciso: Ter extrema atenção e tentar interagir no processo, procurando entender de imediato as mensagens. Observe por inteiro o texto. Observando atentamente gráficos, tabelas e exemplos. Aprenda a enxergar o que está além. Assim se num gráfico econômico, por exemplo, há indicadores de saúde e crescimento de economia comparando o Brasil com os eua e o Canadá, saiba que não é só uma comparação, é uma comparação de um país subdesenvolvido com países desenvolvidos de primeiro mundo, além disso, normalmente os gráficos são feitos numa escala que levam em conta diversos anos. Procure relacionar, por exemplo, estes anos, com os coincidíssemos planos econômicos brasileiros, ou seja, procure muito mais do que está exposto aparentemente.
EXERCÍCIO
Procure artigos de jornais ou revistas de mais ou menos meia página, leia estes texto e procure identificar quais os recursos que o autor usou. Opiniões, gráficos, entrevistas. Fazendo este exercício, você começará a identificar melhor as mensagens do texto.
LIÇÃO 7
Leia com uma finalidade, procurando deixar bem claro na sua mente o porquê de estar buscando mais informações.
EXPLICAÇÃO
Vamos agora a uma pequena questão que você deve responder conscientemente, sem se deixar levar por tudo o que já dissemos aqui. Por que você está lendo ou estudando* Vamos também dar algumas alternativa de resposta, como se fosse uma questão de múltipla escolha.
a) para adquirir mais informações
b) porque precisa aprender mais para adquirir melhores notas
c) quer ascender social e culturalmente
d) todas as anteriores
Bem, saiba que se isso fosse um vestibular ou um concurso a única resposta certa, a que você deveria assinalar seria a última, pois estudar é um pouco de tudo isso, procurar mais informações, aprimorar-se nos estudos e buscar melhor informação cultural. É por isso que estudar deve ser uma de suas atividades diárias. Entretanto ao iniciar uma leitura ou uma atividade de estudo você deve ter em mente qual a sua finalidade.
EXERCÍCIO
Antes de iniciar uma determinada leitura, defina a partir de agora, qual é a finalidade dela.
1ª Se estiver estudando para um vestibular ou um concurso público ou para os exames finais da escola, sua leitura deverá ser muito mais minuciosa
2ª Se sua busca é apenas de conhecimento e de curiosidade a sua leitura será muito mais por lazer, sem muitas preocupações. Na verdade, uma boa leitura é uma mistura de tudo isso e é o que você tem que ter em mente.
Treinando este exercício você vai ganhar mais agilidade no processo de leitura.
LIÇÃO 8
Antes de iniciar a leitura de um texto, faça uma pré-leitura, também conhecida por leitura diagonal.
1º Leia inicialmente os títulos e subtítulos do texto
2º Examine rapidamente os negrito, as tabelas, os gráficos, as fotos e as palavras em destaque
3º Leia os parágrafos iniciais do texto ou dos seus capítulos e dê uma rápida olhada nos parágrafos finais
4º Analise se o texto é de seu interesse e qual a finalidade da sua leitura
5º Se for do seu interesse, inicie a sua leitura
EXERCÍCIO
Selecione alguns textos e utilize esta técnica repetindo-a consecutivamente até que se torne automática, isto lhe ajudará a obter uma melhor compreensão e a dar mais dinamismo a sua leitura.
LIÇÃO 9
Faça um roteiro de leitura, priorizando o material que você precisa ler de imediato.
EXPLICAÇÃO
Com a pré-leitura, você consegue selecionar um bom material que acredita valer a pena ser lido e estudado, assim após a pré-leitura, vá selecionando o material de acordo com o assunto e criando um roteiro sobre o que se precisa ser lido de imediato.
EXERCÍCIO
Inclua antecipadamente no seu programa de estudo, de acordo com o dia e o tempo disponível o material que estará estudando, traçando mais esse objetivo, você estará contribuindo para tornar a leitura um dos hábitos fundamentais.
LIÇÃO 10
Para agilizar o seu processo de leitura, utilize os seguintes procedimentos.
Leia grupos de palavras, posicione a visão sempre um pouco acima do que você está lendo de modo por enxergar as palavras por inteiro e não apenas as sílabas, lendo como que bloco e palavras.
EXERCÍCIO
1º Pegue um livro qualquer e abra
2º Em seguida coloque a mão espalmada, palma da mão aberta, no centro da página aberta com a ponta do dedo médio ligeiramente abaixo da primeira palavra da primeira linha
3º Movimente então os olhos e as mãos ao longo da linha, do começo ao fim com os dedos tocando levemente o papel, voltando depois ao início da linha, faça o mesmo nas outras linha da página
Repita este exercício por pelo menos 10 minutos por dia, pois assim irá aumentar a sua velocidade de leitura.
LIÇÃO 11
Siga estas regras de leitura:
A) Procure estudar individualmente sempre com exceção de trabalhos em grupo ou se você considerar que serão importantíssimos para tirar dúvidas.
B) Determine a sua finalidade de leitura e a tenha claramente como objetivo
C) Exercite ao máximo o seu aprendizado, resolvendo e criando questões em relação ao texto
D) Faça anotações do texto, sublinhando os pontos importantes e com anotações nos cantos das páginas
E) Siga corretamente o seu programa de horários
F) Tente aprender a matéria estudada sabendo que é o seu passo mais importante para seu aprimoramento pessoal e profissional
PARTE II
TÉCNICAS DE MEMORIZAÇÃO
APRESENTAÇÃO
Muitas pessoas se queixam de possuir uma memória fraca que dificulta e muito o seu aprendizado. Na verdade, achar que tem memória fraca é o maior obstáculo para um aprendizado mais eficiente. Todos temos a capacidade de possuirmos uma boa memória desde que treinemos para isso. Uma boa memória é uma habilidade que pode ser desenvolvida desde que você trabalha para isso. Muitas pessoa confundem uma boa memória com uma, como podemos dizer, pouco prestativa nas mais variadas situações com a distração. Realmente pessoa distraídas não lembram de muitas coisas que fizeram ou mesmo de muitas coisas que leram, mas isso não significa que tenham uma memória fraca. Você pode ser distraído e ter uma ótima memória, por exemplo para lembrar números de telefone. Um dos segredos para uma boa memória é tentar associar o que se está fazendo com a imagem criada com a ação. Assim se você é daquele estudantes que chega em casa, joga um caderno num canto, deita e dorme e depois pede a ajuda de Deus e do mundo para encontrar o bendito caderno, preste muita atenção. Ao joga-lo num canto, espere, veja o caderno cair, pular e finalmente permanecer estático no seu cantinho de queda, com certeza irá lembrar mais facilmente onde o deixou. Ter atenção é requisito para poder memorizar. Não é de agora que a memória adquiriu tanta importância para as nossas atividades diárias, desde de tempos remotos ela é reconhecida como o pilar principal para a aquisição e desenvolvimento de nossos conhecimentos, seja no trabalho, em casa ou em toda rotina diária. Muitas civilizações antigas já utilizavam vários sistemas de memória que pudessem ajudar cotidianamente na realização da mais variadas tarefas. Gregos e romanos destacavam a memória para o ponto de partida para o reconhecimento humano. Quantas vezes você já deve ter admirado o seu professor de história ou de geografia por lembrar de detalhe de nosso país. Uma memória bem treinada é motivos de louvores e admiração em qualquer situação. Quem não quer lembrar aquele telefone dito por alguém tão especial em uma festa ou em uma danceteria, ou mesmo na hora do vestibular, quem não quer ter na ponta da língua as fórmulas de física ou química. Agora você deve perguntar: Mas também posso ter uma memória assim* Sim, você pode, desde que se esforce pra isso e para ajuda-lo, vamos expor a seguir algumas técnicas de treinamento e de instrumentos para que você possa ter uma memória mais ativa, apenas vamos ajuda-lo a iniciar este caminho, caberá a você desenvolver as habilidades, por isso treine, repita incansavelmente os exercícios e mentalize realmente o que você poderá assimilar qualquer técnica desde que queira isso. Lembre-se: *Estudar é fundamental!*.
LIÇÃO 12
Para realmente aprender e memorizar as informações contidas em um texto é preciso total atenção e observação.
EXPLICAÇÃO
A observação é um fator determinante para uma boa memória e envolve principalmente ter atenção no que se está sendo observado. Olhar apenas não é observar, olhe para o seu relógio e olhe as horas, fácil não* Só que você se lembra quantos segundos marcavam o ponteiro do relógio* Provavelmente você só olhou os minutos, ou seja, olhou mais não observou por inteiro a informação passado por seu relógio, isso não é ser detalhista e sim realmente obter o maior número de informações possíveis. Então já sabemos que pra lembrar de alguma coisa é preciso observa-la anteriormente nos seus mínimos detalhes, requisito básico para memorizar. Observar e não apenas olhar. Texto também devem ser observados a não ser textos literários com certeza você poderá notar que determinados trechos, os textos apresentam parágrafos maiores, onde comumente estão presentes exemplos e explicações mais detalhada. Uma boa memória retentiva, com certeza é uma bem treinada e sabe observar por vários ângulos de análise.
EXERCÍCIO
Procure imagens, textos, ou mesmo fotos que você disponha e passe a observados detalhes contidos como paisagem, rostos, roupas, parágrafos maiores e menores, palavras destacadas, etc. Quantos a fotos, procure relacionar os lugares que foram tiradas, ao dia a, a ocasião e ao seu estado de espírito.
LIÇÃO 13
Para de ter uma boa lembrança você deve desenvolver uma concentração mais eficaz. Ao ler um texto, concentre-se realmente no que você está fazendo.
EXPLICAÇÃO
Agora que você aprendeu a observar, vamos a mais um teste exemplificado, uma aulinha de português. Escreva em um papel a palavra CONCENTRAÇÃO, não se preocupe, eu espero. Agora observe atentamente a palavra e tire sua conclusões sobre o seu significado. Mais um tempinho. Concentrar-se como a própria palavra diz significa atingir, expresso no prefixo CON- e *CENTRO, expresso em centrar-se. Ao estudar, ler um texto ou mesmo assistir a uma aula, você deve ter isso em mente, ou seja, ter essa tarefa como centro de todos os seus pensamentos, pois o seu cérebro irá trabalhar conforme esteja sendo direcionado a um determinado assunto. Concentra-se é uma técnica fundamental de memorização.Centre-se apenas no ponto que deseje atingir, no caso, seus objetivos, esquecendo do mundo exterior. Porém, algumas pessoa que tem dificuldade com a memória, após ser treinada, realizam mecanicamente o processo. Você já deve conhecer pessoa que conseguem ler livros dentro de um ônibus ou em uma praça lotada, essas pessoa conseguem se concentrar porque já dominaram automaticamente sua concentração.
EXERCÍCIO I
Para se adquirir uma concentração é necessário fazer o exercício chamado, exercícios de respiração, ou seja, primeiramente, procure deixar o ambiente livre de ruídos e barulhos que deviam sua atenção, em seguida, se quiser, escureça o local ou feche os olhos e procure respirar fundo inspirando e expirando profundamente sem pensar em nada por cerca de alguns minutos. Tente pensar por exemplo na sua respiração, sem ouvir os sons exteriores, sem se deixar levar por interrupções. Este exercício lhe trará uma calma interior importante para que você possa iniciar a sua leitura.
EXERCÍCIO II
Se assim mesmo, tiver dificuldade em se concentrar, faça este outro exercício. Escolha um ponto qualquer de sua sala e olhe fixamente para ele, sem pensar em nada, apenas no ponto escolhido, fique assim por uns 10 minutos, cada vez que começar a pensar em uma outra coisa, recomece a marcar o tempo.
EXERCÍCIO III
Outro exercício importante é colocar-se à frente de um espelho e olhar fixamente para o centro de seu nariz, por exemplo, não deixar o olhar desviar do ponto escolhido, insista no exercício, não desista facilmente, fique também por cerca de uns 10 minutos. Repita diariamente esses exercícios, isto irá ajuda-lo a disciplinar a sua concentração, somente para as lições seguintes, se realmente se sentir seguro.
LIÇÃO 14
Para melhor memorizar, associe imagens ao que você quer memorizar.
EXPLICAÇÃO
Nossa memória trabalha com que os especialistas chamam de imagens mentais, às quais é condensada pelo nosso cérebro, este por sua vez grava muito mais facilmente as imagens, situações ou acontecimentos que fogem dos chamados padrões normais. Consideramos como padrões normais, as imagens que podem ser rotineiras em nosso dia-a-dia, ou aquelas que podem ser reais no nosso cotidiano. Se você estiver caminhando na rua, e ver um cachorrinho, por exemplo, esta cena poderá ser tão habitual a ponto de você não lembrar ao final do dia que viu aquele animalzinho. Entretanto, se no lugar do doce cachorrinho, você topar com um cão enorme do tamanho de um elefante que mais parecia um robusto leão daqueles que por mais estejam encoleirados e acompanhados pelo dono, você atravessa a rua só pra não passar na sua frente, com certeza no final do dia você vai se lembrar muito mais facilmente dessa cena. Criar imagens ridículas e inusitadas, associando-as a objetos, palavra ou cenas que precisam ser memorizadas são técnicas que ativam a sua memória. Assim podemos perceber que nossa mente memoriza muito mais facilmente as imagens do que as milhões de informações que recebemos diariamente. O processo de ligação inemonica, significa associar palavras ou itens, a imagens que parecem absurdas ou inusitadas. Vamos tentar memorizar por exemplo, os órgãos do sistema respiratório humano, o caminho que segue o ar na inspiração, fossas nasais, faringe, laringe, traquéia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. Esta pequena lista poderia ser memorizada da seguinte forma:
Imagine o ar como um ser monstruoso de duas cabeças, imagine mesmo, dando corpo a ele, cabeça, olhos, uma camiseta escrita *Eu sou o ar*. Imagine estes ser entrando por uma grande caverna, na qual ter uma placa dizendo, FOSSA, imagine esta caverna no formato do seu nariz, este ser entra pela caverna, o seu nariz, aí a FOSSA acaba em uma grande escorregador e este desce gritando, gritando e gritando: FARINGE, FARINGE. De repente, ela faz uma pausa e decide chupar uma laranja, associe a palavra laranja à LARINGE, enquanto ele chupa a laranja, vai fazendo um barulho, trac, trac, trac, assim você lembrará da TRAQUÉIA, então o barulho deixa o ser monstruoso irritado, muito irritado, bronqueado e nosso amigo chega aos BRONQUIOS,note que o início de uma palavra remede a outra. A irritação o deixa de cabeça quente, ou seja, com bronca nos miolos, chegamos aos bronquíolos e de repente aparece na frente de nosso amigo ar um monstro alvo em forma de pulmão, é o ALVÉOLO PULMONAR.
Se você realmente imaginar as cenas, conseguirá lembrar por meio de algumas palavras os órgão da respiração. Assim você lembrará por associação, caverna lembrará FOSSA, ou seja, FOSSAS NASAIS. Escorregador lembre-se do grito FARINGE, FARINGE. LARANJA associe à LARINGE. TRAC TRAC associe esse barulho à TRAQUÉIA. Ficar BRONQUIADO, BRONQUIOS E BRONQUILOS. ALVO PULMÃO, ALVÉOLO PULMONAR.
Assim para memorizar objetos, ou palavras, crie associações aparentemente absurdas que possam se destacar em sua mente. Esta técnica é conhecida normalmente pelo nome de encadeamento.
EXERCÍCIO
Para exercitar elabore você mesmo uma lista de objetos ou de palavras importantíssimas ao aprendizado de determinada matéria, como no caso dos órgãos da respiração que passamos. Crie associações para memorizar esta lista, as imagens devem ser realmente criadas em sua mente para que você possa memoriza-las, novamente pratique os exercícios e dedique-se, pois será importante para você aprender as técnicas e alcançar um melhor aprendizado.
LIÇÃO 15
Para treinar a sua memória treine memorizar a sua lista de tarefas diárias.
EXPLICAÇÃO
Da mesma forma que o exercício anterior, pode-se decorar por exemplo uma lista de tarefas a ser cumpridas no dia. Vamos dizer que hoje é domingo e você precisa:
I *lavar o carro
II * ligar para um amigo importante
III * assistir a um programa de televisão
IV * Fazer dever de casa
V * Compra uma camisa no shopping
Use a sua criatividade e crie as imagens inusitadas na sua mente. Faça este exemplo como exercício.
EXERCÍCIO
Pratique criando você mesmo a sua lista de tarefas diárias de toda a semana lembrando-se dela todas as manhãs.
LIÇÃO 16
Para memorizar textos ou discursos, selecione palavras chaves no texto.
1º Leia atentamente o texto sublinhando as idéias principais de cada parágrafo.
2º Após esta leitura minuciosa, releia o que foi sublinhado e destaque aquele parágrafos que você acha principais e que realmente são uma síntese de todo texto.
3º Após determinar estes parágrafos, tente condensa-los entre uma ou duas palavras cada um, que contenham a idéia principal abordada, estas serão as palavras chaves na ordem das idéias contidas no texto.
EXPLICAÇÃO
Não adianta decorar palavra por palavra, pois se você esquecer uma delas, corre o risco de perder toda a frase e a seqüência. Toda fala, discurso falado ou escrito que precisam ser memorizados exigem a memorização das idéias a serem apresentadas. Digamos que você será o orador de sua sala no dia de sua formatura. Imagine se esquecendo o texto bem no dia, ou tendo que olhar no papel e esconder o rosto, pior ainda, imagine, se as folhas voam e saem da ordem, bem, melhor nem imaginar uma cena dessas. O segredo para memorizar tetos ou discursos é a utilização de palavra chaves, essa técnica pode ser aplicada aos assuntos que quiser. Por exemplo, se o assunto fosse a situação econômica do Brasil, esta poderia ser a sua lista de palavras chave: desemprego atual, fábricas fechando, planos do governo, criminalidade, protestos, miséria, alternativas.
EXERCÍCIO
Agora selecione textos de jornais ou revistas, ou mesmos textos escolares de não mais de quatro páginas e procure exercitar essa técnica.
LIÇÃO 17
Para memorizar palavras ou expressões importantes. Tente montar uma frase com as palavras ou as iniciais das palavras.
EXPLICAÇÃO
Digamos que você queira memorizar também palavras, nomes científicos, nomes de pessoas ou palavras de outros idiomas. Novamente algumas técnicas de associação podem ajuda-lo nesta tarefa. Um exemplo clássico muito utilizado em cursinhos é a memorização dos planetas do nosso sistema solar: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Para memoriza-los mais facilmente, vamos reduzi-los às letras iniciais: M, V, T, M, J, S, U, N, P. Agora vamos tentar montar palavras com estas letras ligando-as dentro de uma frase. Bom, lá vai *MINHA VÓ TEM MUITAS JÓIAS, SÓ USA NO PESCOÇO*, onde podemos identificar os planetas. MINHA, MERCÚRIO. VÓ, VÊNUS. TEM, TERRA. MUITAS, MARTE. JÓIAS, JÚPITER. SÓ, SATURNO. USA, URANO. NO, NETUNO. PESCOÇO, PLUTÃO. Uma frase como essas com certeza você vai memorizar.
EXERCÍCIO
Faça uma lista de palavras que precisam ser memorizadas e monte frase com elas ou com suas letras iniciais, repita o exercício diversas vezes para poder assimilá-lo.
LIÇÃO 18
Vamos pegar um exemplo, a palavra pluma, que em espanhol quer dizer caneta. Mentalize uma gigantesca caneta em forma de pluma e se preferir, imagine que para escrever, você precisa segurar em um ganso que está na ponta da caneta. Associe assim as imagens à palavra e tente recria-las com vivacidade em sua mente. Para melhor memorizar palavra de outras línguas, ou mesmo palavras importantes no dia-a-dia de seu estudo, tome como procedimento o item básico da memorização, que é associa-la sempre a imagens ou ligá-las á outras palavras ou frases de modo a estabelecer relações e sua própria mente.
EXERCÍCIO
Faça uma lista de palavras de outra língua e crie imagens para memoriza-las, repita incansavelmente esse exercício e todos os outros exercícios, pois com certeza irão ajuda-lo.

"CartaCapital" revela complô da mídia contra Lula e PT

A atual edição da revista CartaCapital - que chegou às bancas nesta sexta-feira (13/10) - denuncia um escândalo em sua reportagem de capa. Um delegado da polícia federal se aliou aos principais órgãos da mídia brasileira para prejudicar o PT e impedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto, assinado pelo experiente jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, revela as tramas por trás dessa conspiração. Às vésperas de 1º de outubro - quando a situação caminhava para uma vitória de Lula já no primeiro turno -, o delegado Edmilson Pereira Bruno fechou um acordo anti-Lula com veículos como a TV Globo e os jornais Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo.

Foi Bruno quem, de forma ilícita, entregou para jornalistas fotos do dinheiro apreendido com duas pessoas ligadas ao PT num hotel de São Paulo. O delegado reconheceu seu objetivo ardiloso, mas a mídia não revelou uma linha sequer desse pronunciamento. Os diários paulistas trataram até de inocentar Bruno, para respaldar sua prática criminosa.

Confira trecho da reportagem exclusiva da CartaCapital, cuja íntegra só está disponível na edição impressa.

OS FATOS OCULTOSA mídia, em especial a Globo, omitiu informações cruciaisna divulgação do dossiê e contribuiu para levar a disputa ao 2º turno

Por Raimundo Rodrigues Pereira

Pode-se começar a contar a história do famoso dossiê que os petistas teriam tentado comprar para incriminar os candidatos do PSDB José Serra e Geraldo Alckmin pela sexta-feira 15 de setembro, diante do prédio da Polícia Federal, em São Paulo. É uma construção pesada, com cerca de dez pavimentos, de cor cinza-escuro e como que decorada com uma espécie de coluna falsa, um revestimento de ladrilho azul brilhante, que vai do pé ao alto do edifício, à direita da grande porta de entrada. Dentro do prédio estão presos Valdebran Padilha e Gedimar Passos, ligados ao Partido dos Trabalhadores e com os quais foi encontrado cerca de 1,7 milhão de reais, em notas de real e dólar, para comprar o tal dossiê. Mas essa notícia é ainda praticamente desconhecida do grande público.

É por volta das 5 da tarde. A essa altura, mais ou menos à frente do prédio, que fica na rua Hugo Dantola, perto da Ponte do Piqueri, na Marginal do rio Tietê, na altura da Lapa de Baixo, estaciona uma perua da Rede Globo. Ela pára entre duas outras equipes de tevê: uma da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin e outra da de José Serra.

Com o tempo vão chegando jornalistas de outras empresas: da CBN, da Folha, da TV Bandeirantes. E a presença das equipes de Serra e Alckmin provoca comentários. Que a Rede Globo fosse a primeira a chegar, tudo bem: ela tem uma enorme estrutura com esse objetivo. Mas como o pessoal do marketing político chegou antes? Cada uma das duas equipes tem meia dúzia de pessoas. A de Serra é chefiada por um homem e a de Alckmin, por uma mulher. As duas pertencem à GW, produtora de marketing político. Seus donos foram jornalistas: o G é de Luiz Gonzales, ex-TV Globo, e o W vem de Woile Guimarães, secretário de redação da famosa revista Realidade, do fim dos anos 1960. Entre os jornalistas, logo se sabe que foi Gonzales quem ligou para a Globo, avisando do que se passava na PF.

E quem avisou Gonzales? Foi alguém da Polícia Federal? Foi alguém do Ministério Público, de Cuiabá, de onde veio o pedido para a ação da PF? Uma fonte no Ministério da Justiça disse a Carta Capital que as equipes da GW chegaram à PF antes dos presos, que foram detidos no Hotel Ibis Congonhas por volta da 6 da manhã do dia 15 e demoraram a chegar à sede da polícia. Gente da equipe da GW diz que a empresa soube da história através de Cláudio Humberto, o ex-secretário de imprensa do ex-presidente Collor, que tem uma coluna de fofocas e escândalos na internet e que teria sido o primeiro a anunciar a prisão dos petistas.

Pode ser que sim, o que apenas leva à pergunta mais para a frente: quem avisou Cláudio Humberto? Mesmo sem ter a resposta, continuemos a pesquisar nessa mesma direção: a de procurar saber a quem interessava a divulgação da história do dossiê e como essa divulgação foi feita. Para isso, voltemos à região do prédio da PF duas semanas depois.

É 29 de setembro, vésperas da eleição presidencial, por volta das 10h30 da manhã. Sai do prédio da PF na Lapa de Baixo o delegado Edmilson Pereira Bruno,m 43 anos, que estava de plantão no dia 15 e foi o autor da prisão de Valdebran e Gedimar. Ele convida quatro jornalistas para uma conversa: Lílian Cristofoletti, da Folha de S.Paulo, Paulo Baraldi, de O Estado de S. Paulo, Tatiana Farah, do jornal O Globo, e André Guilherme, da rádio Jovem Pan. Bruno quer uma conversa reservada e propõe que ela seja feita a cerca de um quarteirão dali, na Bovinu's, uma churrascaria. Um dos jornalistas argumenta que ali "só tem policial". O grupo acaba conversando perto da Faculdade Rio Branco, que não se avista da frente da PF, mas é também ali por perto. Ficam na rua mesmo. O delegado não sabe, mas sua conversa está sendo gravada.

Bruno diz que quer passar para os jornalistas cópia das fotos do dinheiro apreendido com os petistas, que estavam sendo procuradas há muito, por muita gente. Leva um CD com as imagens; 23 fotos; e três CDs em branco para que eles copiem as imagens de modo a que cada um tenha uma cópia. Fala que eles devem dizer "alguém roubou e deu para vocês", para explicar o aparecimento das fotos. Diz que ele próprio vai dizer coisa parecida a seus chefes na PF, que os jornalista é que roubaram: "Doutor, me furtaram. Sabe como é que é, não dá para confiar em repórter". Recomenda que as fotos sejam editadas em computador com o programa Photoshop para tirar detalhes, como o nome da empresa na qual as cédulas foram fotografadas,a fim de despistar a origem do material.

Algumas pessoas têm a fita de áudio com a conversa do delegado Bruno com os quatro repórteres. Mais pessoas ainda a ouviram. Uma delas é o repórter Luiz Carlos Azenha, que tornou público vários de seus trechos no seu site pessoal na internet "Vi o mundo, o que nunca você pode ver na tevê" (http://viomundo.globo.com/). Azenha, que é repórter da TV Globo, não quis dar entrevista a Carta Capital. Pediu para que se procurasse a emissora. Para o que mais interessa ao desenrolar da nossa história, dos trechos da fita, deve-se destacar a preocupação de Bruno em fazer com que as fotos chegassem no dia ao Jornal Nacional. "Tem alguém da Globo aí?", pergunta ele. Um dos quatro responde: "Não é o Tralli? O Tralli está muito visado", Bruno diz, referindo-se a César Tralli e ao incidente, conhecido de muitos, de esse repórter da TV Globo ter podido acompanhar, praticamente disfarçado de Polícia Federal, a prisão de Flávio Maluf, filho de Paulo Maluf.

Mas a preocupação principal de Bruno é a que ele reitera nesse trecho: "Tem de sair hoje à noite na TV. Tem de sair no Jornal Nacional".

As fotos são divulgadas, como veremos no capítulo seguinte, com imenso destaque, no dia 29, vésperas das eleições, repita-se, no JN. Mas não apenas no JN. Veja-se a Folha de S.Paulo, por exemplo, Lá também a divulgação foi, pelo menos na opinião de alguns, espetacular: "Que primeira página mais linda, a de 30/9. É por isso que eu não consigo me separar da Folha", escreveu o leitor Euclides Araújo, no dia seguinte. "A glosa, a irreverência, a fina ironia falaram mais alto, mostrando aquela montanha de dinheiro em cima e, embaixo, Lula, sendo abraçado por uma mão morena e cobrindo o rosto, como se fosse um meliante, conduzido ao distrito, tentando esconder a identidade. O que eles querem, o Pravda ou o Granma? Valeu, Folha!"

A Folha publicou, com grande destaque na primeira página, a foto na qual o dinheiro está empilhado de forma que as notas apareçam com a frente voltada para cima, que é a que mais dá a impressão da "montanha de dinheiro" citada pelo admirador do jornal. E não divulgou que as fotos lhe tinham sido passadas por um policial visivelmente emprenhado em fazer com que elas tivessem um uso político claro, de interferir no pleito de 1º de outubro.

A Folha também tinha a fita de áudio, que foi levada por sua repórter. A editora-executiva do jornal, Eleonora de Lucena, não quis responder por que omitiu as informações dessa fita, a nosso ver tão relevantes. Alguns dos quatro repórteres que receberam as fotos do delegado Bruno, ouvidos para esta matéria, disseram em defesa da tese de que o áudio não deveria ser divulgado, com o argumento de que o jornalista deve preservar o sigilo da fonte, com o que concordamos. Mas perguntamos a Eleonora: por que ela não deu a informação de que se tratava de uma intervenção política no processo eleitoral, publicando os trechos da fita de áudio, que tornam isso explícito, mas sem citar o nome da fonte?

O mais curioso, para dizer o mínimo, é que a Folha publica, junto com as fotos do dinheiro, uma matéria ("Imagens foram passadas em sigilo à imprensa") na qual conta o que o delegado Bruno disse depois, na tarde do mesmo dia 29, ao conjunto de jornalistas, na frente da PF. No texto, assinado pela repórter do jornal que recebeu as fotos de Bruno pela manhã, se diz: "O delegado Bruno disse, ontem, em coletiva à imprensa, q2ue o CD com as fotos havia sido furtado de sua sala, na PF - e que ele estava sendo injustamente acusado de ter repassado o material aos jornalistas". Pergunta-se: qual é o sentido de publicar uma informação que a jornalista sabia que é evidentemente mentirosa e, no caso, ainda ajudava o policial a tentar enganar a própria imprensa?

O Estado de S. Paulo do dia 30 publica a mesma foto, das notas em posição de sentido. E com um texto, assinado por Fausto Macedo e Paulo Baraldi, ainda mais incrível, também para dizer o mínimo. O texto é praticamente uma diatribe contra o PT e em defesa de José Serra. Diz que a publicação das fotos é a abertura "de um segredo que o governo Lula mantinha a sete chaves". Diz que o dinheiro vinha de quem "pretendia jogar Serra na lama dos sanguessugas". É também uma espécie de defesa do delgado Bruno, em favor do qual são ditas algumas mentiras. O texto diz que as fotos foram feitas por "um policial da Delegacia de Crimes Financeiros (Delefin)", na sexta-feira dia 15 de setembro. E que o delegado Bruno comandou uma perícia nas notas, a serviço da Polícia Federal, na sala da Protege AS, Proteção de Transporte de Valores, em São Paulo. De fato, como se saberia no mesmo dia 30 em que o texto de Macedo e Baraldi sai publicado, as fotos foram feitas pelo próprio delegado Bruno, depois de enganar os peritos que analisavam as notas, dizendo-se autorizado pelo comando da PF. Pela infração, o delegado está sendo investigado por seus pares.

Tanto o Estado como a Folha dividem a primeira página do dia 30 entre a notícia das fotos do dinheiro e uma outra informação espetacular: a da queda do Boeing de passageiros da Gol com 154 pessoas, depois de um choque com o Legacy da Embraer, o jatinho executivo a serviço de empresários americanos. No dia 29, no Jornal Nacional, da Globo, no entanto, não há espaço para mais nada: a tragédia do avião da Gol não entra; o noticiário eleitoral, com destaque para a foto do dinheiro dos petistas, é praticamente o único assunto.

É uma omissão incrível. O Boeing partiu de Manaus às 15h35, hora de Brasília. Deveria ter chegado a Brasília às 18h12. Quando o JN começou, a notícia do desastre já corria o mundo. No site Terra, por exemplo, às 20h10 uma extensa matéria já noticiava que o avião da Gol havia desaparecido nas imediações de São Félix do Araguaia, na floresta amazônica; e a causa apontada era o choque com o avião da Embraer.

Qual a razão da omissão do JN? A emissora levou um furo, como se diz no jargão jornalístico, ou decidiu concentrar seus esforços no que lhe pareceu mais importante?

Qualquer que seja o motivo, o certo é que a questão da divulgação das fotos mobilizou a cúpula do jornalismo da tevê dos Marinho. Como vimos, Bruno fora informado pelos jornalistas que Bocardi, da TV Globo, estava entre os jornalistas diante da PF no dia 29. Bocardi é Rodrigo Bocardi, repórter da TV Globo, que atendeu Carta Capital com muita má vontade. Disse que a matéria acabara sendo apresentada por César Tralli e não por ele; e não quis dar mais informações. De alguma forma, no entanto, tanto a fita de áudio como a conversa de Bruno com os jornalistas quanto ao CD com imagens do dinheiro foram passados à chefia de jornalismo do JN em São Paulo e de lá foram levadas a Ali Kamel, no Rio.

Kamel é uma espécie de guardião da doutrina da fé, o Raztinger da Globo, como dizem ironicamente pessoas da organização dos Marinho, que criticam o excesso de zelo deste que é um editor em última instância de todo o noticiário político da emissora carioca. A crítica lembra o papel do cardeal Joseph Raztinger, atualmente papa Bento XVI, no papado de João Paulo II.

Compreende-se por que a decisão sobre o que fazer com o áudio e com as fotos tivesse de ser tomada pelas mais altas autoridades da emissora. Se divulgasse o conteúdo exato das duas informações, a Globo estaria mostrando que o delegado queria usar a emissora para os claros fins políticos que manifesta e que a emissora tinha feito a sua parte nesse projeto. A saída de Kamel - aparentemente, segundo relato de terceiros, ouvidos por Carta Capital, já que ele mesmo não quis se manifestar - foi a de omitir qualquer referência à existência do áudio: "Não nos interessa ter essa fita. Para todos os efeitos, não a temos", teria dito Kamel. A informação complicava a Globo. A informação sumiu.